Caldeirão santista faz a diferença

Santos aposta na Vila Belmiro e o apoio da torcida fez a equipe ignorar o cansaço de jogos decisivos

Bruno Deiro, Fábio Hecico e Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

SANTOS

O Santos abriu mão de maior renda no Pacaembu para apostar na força da Vila Belmiro. E não se arrependeu. O bicampeonato paulista veio num decisão tensa, em que o caldeirão santista fez o time de Muricy Ramalho esquecer o cansaço. O duelo com o Corinthians, no entanto, bastante equilibrado nos dois jogos, foi decidido por lances inusitados.

Na vitória por 2 a 1, o santista Arouca, festejado pelo reforço que deu à zaga, foi ao ataque para marcar seu primeiro gol pelo clube. Na etapa final, o time da Vila ampliou com Neymar em falha primária do corintiano Júlio César, que havia brilhado na semifinal contra o Palmeiras. No fim, apesar do gol de Morais, também em falha do goleiro santista Rafael, foi feita justiça após o grande número de gols perdidos pela equipe de Muricy Ramalho, numa tarde em que até Neymar esteve com a pontaria pouco afiada.

A disputa entre o santista Elano e o corintiano Liedson pela artilharia tampouco mostrou inspiração. Os dois tiveram atuação abaixo da média e terminaram igualados na tabela, com 11 gols marcados. Após a conquista de ontem, o time santista mal terá tempo para festejar. Na quarta, recebe o Once Caldas no Pacaembu, pelo jogo de volta das quartas de final da Libertadores. "Só dá tempo de dar beijo na esposa e voltar para a concentração", brincou Muricy.

Equilíbrio. Desgastado pela maratona de jogos, o Santos quis matar o clássico no primeiro tempo e por pouco não conseguiu. Abriu o placar aos 16 minutos, com Arouca, em chute de dentro da área. O próprio volante, que nunca havia marcado pelo time da Vila, quase ampliou com um golaço - pegou rebote de primeira pelo alto na entrada da área e a bola foi na trave.

O Corinthians, acuado, parecia assustado com a agressividade santista. Neymar, cara a cara com Júlio César, chutou em cima do goleiro e perdeu a chance de fazer o segundo. "Temos de ter inteligência e cautela, mas a equipe está bem na parte tática e temos de manter", disse Alan Patrick, que mais uma vez teve a tarefa de substituir Ganso. O camisa 10 temporário, porém, não teve sucesso na ligação com o ataque e errou nas finalizações.

Melhor arrumado após o intervalo, o time corintiano voltou mais forte. Mesmo sem criar tantas oportunidades, a equipe de Tite jogou até o fim no campo do rival. Com Willian no lugar do apagado Dentinho, o time ganhou velocidade, mas teve de se expor.

E foi em um contra-ataque pela esquerda que Neymar, bem marcado por Alessandro, conseguiu a arrancada que trouxe alívio ao Santos. Aos 38, ele entrou pela área e chutou fraco. Júlio César, com o campo molhado, não conseguiu segurar bola fácil e deixou entrar, lentamente.

A torcida santista ainda comemorava nas arquibancadas quando Morais, dois minutos depois, diminuiu para o Corinthians, em bobeada da defesa rival. Nos minutos finais, cada lateral era comemorado e os avanços do Corinthians eram vaiados. O apito do árbitro deu início a uma bela festa no gramado e nas arquibancadas, com direito a provocação - uma faixa escrita "Centernada" foi exibida em campo por santistas para alfinetar os corintianos, que passaram em branco em 2010, no ano do centenário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.