Calendário aumenta insônia de Bernardinho

Quando Bernardinho conseguir juntar toda a seleção brasileira masculina de vôlei, no fim de maio, terá apenas três meses para preparar a equipe para a disputa dos Jogos Olímpicos de Atenas. O treinador, que já saiu em revista semanal contando que sofre de insônia, anda dormindo ainda menos pensando no malabarismo que terá de fazer para acertar um calendário de treinos que faça o time confirmar o favoritismo. A Liga Mundial, competição que o Brasil ganhou três vezes, será preparatória para os Jogos Olímpicos. A estréia brasileira será no primeiro fim de semana de junho, diante da Grécia, fora de casa. ?Depois jogamos em São Paulo, contra a Espanha. Passamos por Campo Grande, contra Portugal, e depois pegamos a Grécia em Belo Horizonte. Seguimos para a Espanha e, no último fim de semana de julho estaremos em Portugal. Em seguida vêm as finais. Se nos classificarmos vamos direto para a Itália, onde será a fase final. Três semanas depois da Liga Mundial já começa a Olimpíada?, explica o técnico. Para ele, Itália e Rússia chegarão a Atenas com mais força que as outras equipes porque não terão o mesmo comprometimento que o Brasil na Liga Mundial. ?A Rússia não vai participar da Liga Mundial. A Itália já está classificada para as finais da competição porque vai ser sede desta fase. A gente vai ter de cumprir calendário e batalhar para chegar às finais ? o que pode atrapalhar a preparação. A Sérvia, que seria a quarta favorita ao ouro olímpico, está no mesmo nível que o nosso time?, analisa o treinador, que deu um curso para mais de 300 técnicos em Portugal e afirma que todos concordam sobre a superioridade atual de russos e italianos. Apesar da falta de tempo, Bernardinho não quer ficar se lamentando. ?Não tem solução. Por enquanto isso me rende insônia. Acho que a única solução desse caso é um comprometimento total dos atletas, uma motivação total para um plano que vamos traçar juntos. Espero que eles se devotem a isso da forma mais obstinada possível porque é a única possibilidade que temos para inverter esse quadro?, admite o treinador. Segundo ele, muita coisa mudou da época de quando era atleta, há 20 anos. ?No ano dos Jogos Olímpicos de 1984 (em Los Angeles), tivemos sete meses para treinar. Para o Mundial de 1994, quando cheguei para treinar a seleção feminina, tivemos seis, sete meses para treinar. Agora vamos ter três meses. Não sei se teremos de fazer milagre, mas certamente não é o tempo ideal.? Assim como José Roberto Guimarães, técnico do Finasa/Osasco e da seleção brasileira feminina, Bernardinho não ficou satisfeito com o calendário da Superliga, o Campeonato Nacional, que foi estendido nesta temporada. ?No meu modo de ver, não houve novamente uma organização correta na Superliga. Culpa de quem? Culpa de todo mundo. É um jogo do ganha-ganha, clubes têm de ganhar e a seleção também tem de ganhar. Fica cada um querendo puxar para o seu lado. Do meu ponto de vista, como coordenador do Rexona, é uma competição com interrupções demasiadas. Mas não adianta, vamos trabalhar com o que temos para trabalhar. Acho que partimos um pouco atrás dos outros, mas vamos ter de fazer o que é possível. É uma situação complicada.? Bernardinho ainda não sabe o que fará para a equipe melhorar o retrospecto dos três anos recentes. ?Vi um crescimento do nosso time desde o Mundial (em outubro de 2002) para a Copa do Mundo (em novembro de 2003), mas não sei ainda qual cordinha terei de puxar, ou quais botões terei de apertar, para fazer nossa equipe melhorar. Sei que temos de melhorar tudo: saque, sistema bloqueio-defesa... A questão é como melhorar totalmente.? Outra indefinição é em relação à apresentação dos jogadores. ?O pessoal se apresenta quando estiver livre. Vamos esperar a volta dos jogadores à medida que vão se desclassificando em seus campeonatos. Eles voltam, descansam e se apresentam. Estamos à mercê dos campeonatos, esperando que eles sejam definidos. Alguns virão em meados de maio, outros chegam um pouco antes. A última turma deve chegar no final de maio. Mas ainda não tenho uma data final para os cortes.? O primeiro a se apresentar ao grupo será o oposto Anderson, que encerrou a participação no Campeonato Japonês e desembarca nesta quinta-feira no Rio. A luta por vagas de reservas e titulares na equipe brasileira vai continuar: ?Temos algumas brigas por posições. A base de 13 jogadores que conquistaram os últimos títulos parte na frente, mas não tem ninguém garantido. Os resultados deram a eles essa condição de largar melhor que os outros. No momento, o único garantido sou eu, mas isso também pode mudar. Eles têm um passado de prestígio conosco, mas não podem pensar que o conseguiram no passado vá garantir cada um na Olimpíada.? Além de Bernardinho, a equipe do Rexona esteve nesta quarta-feira na Favela de Heliópolis, onde a equipe mantém um projeto social. As atletas fizeram clínicas e se emocionaram com as crianças. ?Teve gente que ficou com os olhos cheios de lágrimas?, contou Ana Moser, a coordenadora do núcleo da equipe em São Paulo.

Agencia Estado,

03 de março de 2004 | 19h04

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