Calor deve fazer a diferença na abertura da F-1

Expectativa é de como os pneus vão reagir a temperaturas de 40 graus

Livio Oricchio, Melbourne, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

O primeiro e verdadeiro confronto de velocidade entre a Ferrari, de Felipe Massa e Kimi Raikkonen, e a McLaren, de Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen, será hoje, à meia-noite (Brasília), com TV Globo . Os 22 pilotos que disputam a etapa de abertura do Mundial, em Melbourne, participam da sessão classificatória do GP da Austrália. E há uma preocupação geral, tão séria que é capaz de proporcionar um resultado bem diferente do esperado: o inesperado calor de quase 40 graus.''Os pneus que a Bridgestone trouxe aqui para o Circuito Albert Park são os mesmos do ano passado, quando a temperatura foi de 26 graus'', disse Fernando Alonso, da Renault. ''É uma diferença muito grande'', falou o espanhol. ''Podemos ter um grid e principalmente uma corrida bastante distintos da imaginada pelos testes da pré-temporada'', explicou Rubens Barrichello, da Honda. ''O desgaste dos pneus é maior com esse calor e agora sem o controle de tração esse problema se tornará ainda mais sério.'' A tomada de tempo para o grid é a única hora em que todos estão na mesma condição, ao menos nas duas primeiras partes, já que os pilotos utilizam pneus novos e gasolina no tanque apenas para a volta lançada.A sessão da prova de Melbourne mostrará qual o estágio de cada carro no quesito velocidade pura. Coisa que os testes de janeiro e fevereiro apenas ofereceram indicações dos modelos 2008. ''O desafio de fazer os pneus resistirem é o mesmo para todos, mas confio na capacidade dos nossos técnicos'', disse o campeão do mundo, Kimi Raikkonen. Ontem foram realizadas duas sessões de treinos livres que serviram já para o levantamento de dados. ''Acho que vamos ver gente com dificuldade para controlar o carro quando os pneus se desgastarem'', comentou Felipe Massa. O piloto da Ferrari referia-se mais às 58 voltas da prova, amanhã, no traçado de 5.303 metros. ''É uma variável nova com a qual ninguém contava'', diz Nelsinho Piquet, da Renault.O vice-campeão do mundo, Lewis Hamilton, reforçou a idéia de a corrida no Albert Park poder surpreender: ''Trabalhamos no máximo com 26 graus, sendo a maior parte do tempo abaixo disso. É uma situação nova que terá de ser observada pelos engenheiros.''Há novidades no formato da sessão de classificação. No final, quando apenas os dez mais rápidos disputam as dez melhores colocações, agora serão 10 minutos em vez de 15. O reabastecimento, depois do treino, proporcional às voltas completadas, deixa de existir. Os pilotos vão iniciar a prova com a gasolina que sobrou no tanque. É mais uma variável no pouco previsível GP da Austrália.

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