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Antero Greco
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Calvário tricolor

A Semana Santa já passou, mas o calvário do São Paulo continua e ainda vai levar alguns à crucificação moral. A oscilação do time tem sido um tormento e mina a confiança de torcedores na capacidade de jogadores e Muricy Ramalho darem um chega pra lá na fase ruim. O fundo de crédito se esgota.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2015 | 02h01

A derrota para o Botafogo foi o mais recente exemplo da instabilidade geral e falta de prumo. O que se viu ontem à tarde, em Ribeirão Preto, deu medo. O São Paulo começou bem, passou a falsa impressão de que iria impor-se e superar o trauma da derrota de meio de semana para o San Lorenzo. O tira-gosto se limitou a três boas arrancadas, trocas de passes e um ou outro chute a gol. Só.

Em meia hora acabou o gás tricolor, murchou o entusiasmo, bateu sonolência, disseminou-se a apatia. Dali em diante, e até o final da agonia com os 2 a 0 para o Botafogo, foi um arrastar-se em campo. O São Paulo obteve a proeza de ter duas finalizações perigosas no segundo tempo - uma com Ganso, de fora de área, com o goleiro a desviar a bola para a trave e outra com Boschillia. Mais nada, a não ser um enfadonho toca pra cá, toca pra lá, sem critério.

Não teve um cristo com coragem de apresentar-se e tomar o comando do jogo para si. Não foi Ganso, nem Pato, sequer Denilson, muito menos Souza. O Botafogo, que não tem nada a ver com as agruras do adversário, aproveitou chances, fez dois gols e perto do final desperdiçou o terceiro, o golpe de misericórdia num amontoado batido.

Perder é do jogo, já se sabe desde as Olimpíadas da Antiguidade. Não é moleza administrar duas competições simultâneas. Chato tem sido a forma como ocorrem os tropeços são-paulinos, com o roteiro repetitivo de mostrar lampejos de ousadia para em seguida apagar, encolher, sumir. A equipe se mostra tão atônita quanto Muricy, há muito sem a vibração que lhe era característica. Um e outra não interagem.

Teste igual. O Corinthians passeou sobre o Santos, no primeiro tempo do clássico de ontem à tarde, no Itaquerão. Fez 1 a 0, fora o controle de bola e o assédio no ataque. Só não resolveu o teorema porque o goleiro Vladimir fez ao menos duas defesas estupendas. O rolo compressor deu o ar da graça, diante de um rival tímido, sem nada das promessas abusadas de Robinho, de que iria pra cima, iria pedalar e etc.

Para alegria de quem curte futebol, o Santos acordou na segunda parte, sacudiu-se e percebeu que estava em condições de encarar os corintianos com igualdade, livrou-se do complexo de inferioridade. Resultado da reviravolta foi uma partida dinâmica, agradável, com alguma catimba de parte a parte, com o gol de empate marcado por Ricardo Oliveira; a virada não veio por um triz, em cabeçada de David Braz. Enfim, um bom jogo de bola.

O Corinthians sustentou-se no esquema habitual, com intensa movimentação do meio-campo e ataque, reforçados pelas descidas dos laterais. Não há mistério na estratégia de Tite, nem fórmula rebuscada. Ainda assim, os adversários suam para emperrá-la e, na maior parte das vezes, naufragam. O mérito reside numa aparente simplicidade alvinegra que funciona pelo entrosamento e pela qualidade do elenco.

Confiança que não sobra no Santos, que age ainda sem acreditar com fervor na própria capacidade. A equipe da dupla Marcelo Fernandes/Serginho Chulapa não é um brinco, mas está longe de mostrar-se uma negação. Quando colocou a bola no chão e triangulou, se deu bem, pois tem talento para tanto, em gente como Robinho, Renato, Lucas Lima, além de Ricardo Oliveira a segurar zagueiros por sua forte presença na área.

Santos e Corinthians decidiram Paulistas nos últimos anos. Não será surpresa se houver repetição.

E agora? Fred foi expulso no primeiro tempo do clássico que o Flu perdeu para o Fla e pediu o "fim do Campeonato Carioca". Mexeu com os coronéis da bola. Fossem outros tempos, levaria 30 chibatadas...

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