Mauricio de Souza/Estadão
Mauricio de Souza/Estadão

'Camarada de fibra' estreia em Santos após cair da carroça

Acidente que abriu o pulso de Yamaguchi Falcão poderia ter abreviado a carreira do lutador

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2014 | 14h55

SANTOS - Adegard Câmara Florentino não segura as lágrimas durante o último treino de um de seus filhos, Yamaguchi Falcão, antes da estreia como profissional. Adegard, um ex-lutador de Vale Tudo, considera que a carreira amadora do filho, coroada com o bronze olímpico nos Jogos de Londres, foi uma espécie de “faculdade” que o conduziu para o que realmente interessa: a carreira profissional e a perseguição de um título mundial – algo que o Brasil não sabe o que é desde que Acelino “Popó” Freitas perdeu seu cinturão em 2007 para Juan Díaz.

Momentos antes da realização do sonho, ele lembra que poderia ter abortado a carreira do filho antes mesmo de seu início. “Foi quando eu era carroceiro, e bebia muito. O Yamaguchi tinha uns 12 anos. Eu enchia a carroça com areia. Mas estava bêbado, e deixei o carrinho de areia bater no burrinho, que desembestou. O Yamaguchi, que estava na carroça, caiu no chão e abriu o pulso. Achei que a vida dele no boxe tinha acabado ali, e me senti muito culpado.”

Yamaguchi foi levado a um médico, que recolocou o pulso no lugar. “Aí eu vi que meu filho era um camarada de fibra. Quando o médico colocou o pulso dele no lugar, doeu muito. Ele mudou de cor, mas não chorou.”

Yamaguchi faz a primeira luta de um contrato de cinco anos com a maior promotora de boxe do mundo, a Golden Boy Promotions, de Oscar de la Hoya, que já firmou contrato de três anos com a Rede Globo – a luta deste sábado será exibida pelo SporTV, por volta de 22h30. A segunda luta será novamente em Santos, e a terceira, em Vitória, como deseja o lutador.

O combate, contra o invicto argentino Martín “El Terrible” Ríos, pela categoria médio (72,580kg), será em oito rounds. Normalmente, uma estreia é em quatro rounds. O adversário (dez vitórias, sendo quatro por nocaute, e dois empates) é forte para uma estreia, e representa algum risco.

Yamaguchi treina há apenas duas semanas com o profissional indicado pela Golden Boy, Danny García. O mexicano naturalizado americano faz parte do staff que orienta Miguel Ángel García, atual campeão dos superpenas pela OMB, e já treinou os ex-campeões mundiais Roberto García, outro irmão de Danny, e Victor Ortíz.

O pouco tempo de treino foi insuficiente para eliminar os vícios do amadorismo – o braço direito de Yamaguchi está baixo e seus golpes são mais rápidos que potentes.

“Não posso colocar muitas coisas na cabeça dele para não confundi-lo”, diz Danny.

“Tenho de evoluir, mas estou confiante. Yamaguchi já enfrentou medalhistas olímpicos e venceu”, diz o lutador, usando o discurso em terceira pessoa.

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