Caminhões na pista. É dia de autódromo cheio no RS

Categoria tem média de quase 50 mil pessoas por prova e dá a largada para a temporada hoje, em Santa Cruz do Sul

Rafael Vergueiro, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2011 | 00h00

Existe no Brasil uma competição esportiva cuja média de público é quase quatro vezes maior do que a do Campeonato Brasileiro de Futebol. É a Fórmula Truck, cuja temporada começa hoje, às 13 horas, com a etapa de Santa Cruz do Sul (RS). Em 2010, a corrida de caminhões teve média de 49.500 pessoas por prova. O Brasileirão registrou 14.800 torcedores por jogo.

No Brasil, a F-Truck é realizada desde 1996. Um parâmetro para compreender a importância do evento é o envolvimento direto de seis montadoras de caminhões: Mercedes, Ford, Volkswagen, Iveco, Volvo e Scania. Este ano uma das novidades é a transmissão em HD - a primeira categoria de automobilismo sul-americana a adotar a tecnologia. A TV Bandeirantes transmite as corridas ao vivo. Como no ano passado, serão disputadas dez etapas, nove no Brasil e uma em Buenos Aires, na Argentina, que é realizada desde 2009 - por isso a competição é conhecida como Campeonato Sul-Americano de Fórmula Truck.

Roberval Andrade, atual campeão, é um dos mais felizes com o reconhecimento do público. No seu caso ainda existe a combinação do apelo da velocidade com a afeição a um dos times mais populares do País. Ele corre pela equipe Ticket Car Corinthians Motorsport, e chama atenção no autódromo de Santa Cruz por andar com uma camisa em homenagem a Ronaldo. Mas cobra mais apoio.

"Nós só não temos mais grandes pilotos aqui por falta de patrocínio e de incentivo do governo. Acho que o Brasil está crescendo de forma suficiente para que possa dar oportunidades para novos esportistas disputarem a Truck", diz Andrade.

Outro destaque da categoria é Débora Rodrigues, da RM Competições, a ex-musa do Movimento Sem-terra que brilha com seu caminhão desde 1998. E ela mostra saber a receita do sucesso. "Aqui nos preocupamos com o público, com o evento de uma forma geral. Sempre discutimos o que precisa mudar, o que pode melhorar. E isso não vejo em outras competições."

Para Débora, o fato de o brasileiro ser "apaixonado" por caminhões também ajuda. "O povo do nosso País gosta, conhece de perto o caminhão, sabe como funciona. E essa paixão tem se espalhado por todas as classes sociais nos últimos anos. Aqui, nas áreas Vips, vemos pessoas da alta sociedade que marcam presença, e não estão nem aí com o barulho e a fumaça."

A organização da Fórmula Truck sempre faz questão de ressaltar que a segurança é prioridade número 1, mas é fato que a categoria se notabiliza por acidentes espetaculares. Na chuva, por exemplo, o risco é grande. Ao contrário do que acontece nos carros, os caminhões não têm pneus específicos para o piso molhado.

Grid. O pernambucano Beto Monteiro, campeão em 2004, será o pole position na primeira prova do ano, que terá 23 concorrentes. Com a posição, já ganhou um ponto na classificação. Logo atrás seguem Felipe Giaffone, Valmir Benavides, Renato Martins e Débora Rodrigues. A previsão da meteorologia para o horário da prova é de chuva.

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