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Em teste de novo tênis, campeã olímpica da maratona em Tóquio já pensa nos Jogos de Paris, em 2024

No domingo, Peres Jepchirchir presenciou a quebra de dois recordes mundiais nas provas de 5km e 10km e espera manter o ritmo para brilhar novamente na próxima edição da Olimpíada

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2021 | 10h01

Os Jogos de Tóquio colocaram Peres Jepchirchir em outro patamar. Não que ela não fosse uma ótima corredora, mas o ouro olímpico da queniana que é recordista mundial da meia-maratona a deixou como uma das favoritas para a próxima edição, em Paris, em 2024. No Japão, ela chegou para disputar a maratona, realizada em Sapporo, e surpreendeu as favoritas, ficando na primeira posição.

"Os Jogos de Tóquio me mostraram que eu posso fazer muito mais. Sinceramente, eu não esperar vencer, até porque existem outras ótimas atletas no meu país. Mas treinei bastante, não estava entre as favoritas, mas venci a prova", comentou a queniana em entrevista exclusiva ao Estadão.

Aos 27 anos, ela teve recepção calorosa ao voltar para casa. Sua façanha deixou para trás a favorita Brigid Kosgei, sua compatriota e atual recordista mundial da maratona, que ficou com a prata em Tóquio. "As pessoas ficaram muito felizes por mim, foi muito legal", disse a campeão, que começa a ser seguida pelas rivais já pensando em Paris-2024.

Peres é especialista na meia-maratona, ou seja, na distância de 21 km. Mas no Japão ela correu o dobro desse percurso e, mesmo assim, conseguiu lidar com o calor forte para fechar a prova em 2h27min20s, com uma grande arrancadas nos últimos dois quilômetros que fez com que sua vantagem sobre Brigid fosse de 16 segundos no fim.

Recordes mundiais no atletismo

No domingo, a atleta participou de um evento de sua patrocinadora em Herzogenaurach, na Alemanha, em uma pista projetada especialmente para possibilitar que os atletas conquistem grandes marcas. Lá ocorreu a apresentação de um novo modelo em testes finais de performance, o adizero Takumi Sen 8, e muitos corredores fizeram a melhor marca de suas vidas com a versão já aprovada deste calçado, o adizero adios pro 2. A indústria tem o desafio quase que anual de oferecer equipamentos que possam ajudar os corredores. Ganhos de milésimos de segundos são significativos para esses atletas. São eles que fazem a diferença no fim das disputas.

Na prova de 10 km, a queniana Agnes Jebet Tirop correu em 30min01s, enquanto nos 5 km a etíope Senbere Teferi marcou 14min29s, duas marcas abaixo do recorde mundial e que estão sujeitas à homologação pela World Athletics, a federação internacional de atletismo. "Estou muito feliz de ter quebrado o recorde mundial nesta apresentação", disse Tirop.

Peres ficou feliz de ver sua compatriota correr tão rápido e presenciar ótimas marcas dos atletas. Isso significa que alguns recordes começam a ser repensados com esses novos adereços. "Foi bom. Meus colegas quebraram recordes e estou bastante orgulhosa deles", explicou a campeã olímpica, ressaltando a melhora de desempenho com o novo calçado. "Eu vejo muita diferença em relação aos modelos anteriores, melhora muito para a gente", disse.

Inovação tecnológica no tênis de corrida

Segundo Alberto Uncini Manganelli, gerente-geral de corrida da adidas, a intenção é inovar na fabricação dos calçados para levar a performance dos atletas a outro nível. "Não é só teoria, quebramos dois recordes mundiais aqui, algo que não é comum. Vimos que o adizero possibilta melhorar marcas das pessoas e ao mesmo tempo queremos aprender essa tecnologia para ser mais acessível a todos", afirmou. Os competidores são patrocinados por marcas importantes e escolhem seus tênis para realizar suas provas. Há outras marcas desenvolvendo tecnologias para tornar a vida desses atletas mais fácil. 

A tecnologia dos tênis de corrida vem pulverizando marcas de muitas provas, não só com calçados da adidas, mas também com de sua concorrente Nike. A grande revolução está nas placas de carbono que ficam entre a sola e a palmilha, ajudando a devolver a energia empregada na pisada ao corredor. Isso faz com que ele fique mais veloz e tenha menos desgaste.

"Queremos devolver o máximo de retorno de energia para o atleta, possibilitar boa propulsão e reduzir o impacto. Acho que isso dominará os próximos anos", acredita o executivo, que aposta no modelos de hastes de carbono de sua empresa, que seguem o formato dos ossos do pé. Outra inovação é o solado. "Não acredito que exista uma forma perfeita. Quando vemos que o formato está bom, testamos todas as possibilidades para melhorá-lo."

No fim do ano o adizero Takumi Sen 8 será oficialmente lançado e passará pelo crivo da World Athletics, que avalia se os modelos estão dentro das normas específicas para corrida. Há todo um cuidado e regras para que os modelos não formem uma espécie de 'doping tecnológico'. Para Peres, a liberação do tênis será ótima para ela tentar melhorar seu recorde mundial na Meia-Maratona e também lutar pelo bicampeonato olímpico em Paris. "Se eu tiver chance, quero ir para a próxima Olimpíada. E na Meia-Maratona quero tentar correr em 63 ou 64 minutos", planeja. Ela é a atleta da modalidade a ser batida em Paris.

 

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