Campeão anônimo, Luciano Corrêa tenta fugir de favoritismo

Menos badalado que João Derly e Tiago Camilo, judoca de 25 anos é uma das grandes esperanças em Pequim

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 22h27

Dentre os brasileiros campeões mundiais, Luciano Corrêa é o menos badalado e, talvez, o menos conhecido do público, ao contrário de João Derly e Tiago Camilo. Mas o que pode parecer desvantagem, em um primeiro momento, é visto como trunfo pela comissão técnica. Aos 25 anos, o meio-pesado ganhou a condição de favorito à conquista do ouro olímpico. Muito por causa desse "anonimato". O fato de Tiago Camilo já ser medalhista olímpico - foi prata em Sydney/2000 - o torna mais visado, da mesma maneira que Derly experimenta a fama desde 2005, quando se tornou campeão mundial pela primeira vez. Além disso, diz Luiz Shinohara, técnico da seleção, as categorias meio-leve (de Derly) e meio-médio (de Camilo) são mais equilibradas. "Fico satisfeito em saber dessa confiança, mas preciso pensar passo a passo", diz o brasiliense Luciano, que há oito anos defende o Minas. "Por isso, não me importo em ser famoso. Ser tranqüilo faz parte do meu jeito", garante. "Ainda preciso garantir minha vaga na Olimpíada. Depois disso, posso começar a pensar em medalhas." O judoca lembra que terá de conseguir bons resultados na Europa para conquistar o lugar de titular e superar o jovem Leonardo Leite, atualmente reserva. Nesta quarta-feira à noite, parte da equipe masculina viaja para a França, onde disputará a Supercopa de Paris, no fim de semana. Luciano optou por viajar primeiro, junto com um grupo composto, basicamente, por reservas. "Prefiro ir logo, para não ver o resultado dos outros. Quero me garantir o quanto antes." Representante da categoria meio-pesado, que mais glórias deu ao judô nacional, Luciano faz parte de uma linhagem que já teve Chiaki Ishii (primeiro brasileiro a conquistar uma medalha olímpica, bronze em Munique/1972), Douglas Vieira (que levou o País à primeira final olímpica, quando foi prata em Los Angeles/1984) e Aurélio Miguel, o primeiro judoca de ouro, em Seul/1988 - foi também bronze em Atlanta/1996. Luciano também entrou para o seleto grupo ao conquistar o título mundial, em setembro de 2007, no Rio. "É uma honra ser da mesma categoria de tantas estrelas", diz o atleta, que pretende estar também nos Jogos de 2012, em Londres. "Tenho certeza de que até lá posso trazer mais títulos." Seu maior espelho é Aurélio Miguel, único judoca brasileiro a conquistar medalhas em duas olimpíadas. Seletiva A Supercopa de Paris, primeira competição que servirá de seletiva para definir a equipe brasileira que irá a Pequim, começa no sábado. Na França estará parte das equipes feminina e masculina - os judocas do Brasil foram divididos em dois grupos. O destaque das mulheres é a meio-médio Vânia Ishii, que já representou o Brasil em duas Olimpíadas (Sydney/2000 e Atenas/2004), mas em 2007 ficou fora da seleção permanente. Entre os homens, o meio-médio Flávio Canto, bronze em Atenas, busca a recuperação, depois de sofrer com contusões. Ele tem a inglória tarefa de disputar um lugar com Thiago Camilo. Os representantes do País nos Jogos virão em confrontos indiretos. Cada atleta disputará uma Supercopa e uma etapa de Copa do Mundo. Quem tiver melhores resultados ganha a vaga.

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