Campeão conhece o lado ruim da pressão

Campeão conhece o lado ruim da pressão

Schumacher vê sua atual condição posta em dúvida depois de perder duelo inicial para Rosberg. Tem de reagir na Austrália

Livio Oricchio, ENVIADO ESPECIAL / MELBOURNE, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

Michael Schumacher tem, hoje, na sessão que definirá o grid do GP da Austrália, uma segunda chance para vencer o companheiro de Mercedes, Nico Rosberg. Na abertura do Mundial, há duas semanas, no Bahrein, na sua volta à Fórmula 1, o alemão perdeu todas as disputas com Rosberg: treinos livres, classificação e corrida. E já há quem questione se, aos 41 anos, Schumacher voltará a ser o piloto excepcional que conquistou sete títulos.

Ontem, antes ainda dos primeiros treinos livres da segunda etapa do campeonato, no circuito Albert Park, em Melbourne, os dois pilotos falaram sobre a disputa particular. Para Rosberg, tornar-se o primeiro a vencer Schumacher será a consagração profissional. "Tenho de medir cada palavra que falo, a fim de evitar as manchetes que poderiam me comprometer"", disse, rindo, o filho de Keke Rosberg, campeão do mundo em 1982.

"Imagina se eu dissesse que quero ser melhor que Michael! A verdade é que todos desejam vencê-lo. Agora, por favor, não façam manchetes do que lhes disse"", falou Rosberg, sorrindo, aos jornalistas. Na prova de Sakhir, ele largou em quinto, Schumacher em sétimo (283 milésimos mais lento; na corrida, foi quinto e o companheiro, sexto).

O supercampeão parece não ter se abalado por ter perdido a primeira batalha. "Eu não tenho do que me envergonhar por ter ficado atrás de Nico. Ele é um piloto muito rápido"", afirmou Schumacher. "Estou relaxado. Sou um ser humano, não uma máquina, foi minha primeira corrida, os carros estão diferentes.""

O alemão justificou sua análise: "Larguei bem, fiz uma corrida limpa, sem erros, com tempos competitivos, classifico meu recomeço como muito bom para quem ficou três anos fora da Fórmula 1.""

Duelos. Além da competição particular entre Rosberg e Schumacher, o treino classificatório, hoje, com transmissão ao vivo pela TV Globo, a partir da meia-noite, apresenta outras disputas espetaculares, como a entre o líder e vice-líder, Fernando Alonso e Felipe Massa, da Ferrari, favoritos para vencer o GP da Austrália; Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull; e a dupla da McLaren, Lewis Hamilton e Jenson Button.

Schumacher previu para a disputa pela pole, hoje, e as 58 voltas da corrida, amanhã, com largada às 3 horas: "Como sempre aconteceu nesse circuito (5.303 metros), a relação de forças que vimos no Bahrein será distinta aqui. Para nós, não sei se será melhor ou pior.""

ACELERADAS

Treino é treino

Fernando Alonso foi cáustico ao comentar a maior velocidade da Red Bull, que hoje pode dar a pole a Sebastian Vettel ou Mark Webber. "Uma coisa é ser rápido; outra é ganhar corridas.""

Vai melhorar

Bruno Senna acredita na evolução do carro da Hispania. Diz que o acerto, agora, será melhor e que a falha no pescador de gasolina verificada no GP do Bahrein está resolvida.

Não é comigo

Michael Schumacher confirmou que não voltará à associação do pilotos por enquanto. "Eles (os atuais dirigentes) fizeram bom trabalho. Não precisam de mim.""

Bola fora

Os australianos não vão perdoar Lewis Hamilton tão cedo. Motivo: o piloto da McLaren recomendou, em entrevista a emissora de TV do país, que Mark Webber se aposentasse.

Motores "usados""

A dupla da Ferrari Felipe Massa e Fernando Alonso vai utilizar, nos treinos livres e na classificação em Melbourne, os mesmos motores usados na corrida do Bahrein.

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