Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Campeão do mundo em salto em distância está de casa nova

Com ótima estrutura, pista em São Bernardo vai receber Duda e dezenas de outros atletas

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2014 | 17h00

SÃO BERNARDO - Assim que voltar do período de descanso após a disputa dos Jogos Sul-Americanos e da temporada indoor, em que conquistou o bicampeonato mundial do salto em distância, Mauro Vinícius da Silva, o Duda, terá uma nova casa. O saltador será um dos primeiros a usar a recém-finalizada pista de atletismo de São Bernardo do Campo, que será inaugurada no dia 29.

Duda e seu técnico, Aristides Junqueira, deixaram a cidade de São José do Rio Preto para ter melhores condições de treinamento até os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. A pista em que o campeão treinava, no Centro Esportivo Eldorado, precisa ser reformada urgentemente - a última troca do piso ocorreu há mais de uma década. Segundo Aristides, o piso duro e inadequado causou problemas físicos (lesões na coxa e no tendão calcâneo) que atrapalharam a preparação de Duda para o Mundial Indoor. O atleta tem como melhor marca em ambiente fechado os 8,28m que deram a ele os ouros em Istambul, há dois anos, e em Sopot, há oito dias, mas, segundo seu treinador, Duda tem condições de saltar na casa de 8,50m. "Nosso trabalho é para isso."

Enquanto esperava o espaço em São Bernardo ficar pronto, Duda dividiu seus treinos de início de temporada entre o CT de sua equipe, a BM&F Bovespa, em São Caetano do Sul (que terá a pista reformada), e o Centro Olímpico de São Paulo, de propriedade da prefeitura paulistana. "É muito legal ter essa nova opção. É um lugar que eu só vi por fotos, ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente, mas tem uma estrutura incrível", disse o campeão.

O estádio de atletismo, batizado de Professor Osvaldo Terra, ocupa uma parte dos 3,2 mil metros quadrados que, até 2006, faziam parte do Clube da Volkswagen, no bairro Santa Terezinha. As obras, que começaram em 2010 e deveriam ter terminado no fim de 2012, consumiram R$ 31 milhões em recursos públicos - cerca de R$ 19,5 milhões do governo federal, via Ministério do Esporte, e o restante do governo municipal. A presidente Dilma Rousseff foi convidada para a inauguração, mas ainda não confirmou presença.

PISO ALEMÃO

A pista de São Bernardo é de fabricação alemã e tem desenho idêntico à do Estádio Luzhniki, de Moscou, que recebeu o Mundial em agosto passado. Os equipamentos são importados, de fabricação polonesa, chinesa e americana. Além da pista aberta, com arquibancada coberta para mais de mil espectadores, São Bernardo terá a segunda estrutura indoor do Brasil - a primeira está em São Caetano -, com uma pista de cinco raias e 85m de extensão, além de uma caixa de areia e espaço para a prática de treinos de salto com vara (com um trapézio preso a 11m de altura). O prédio, de três andares, também abrigará uma academia com tablado para treinos de levantamento de peso e salas para profissionais de medicina e fisioterapia.

O piso passou por medição da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) em fevereiro e deve receber certificado classe 1 (o tipo que pode receber competições internacionais como o Mundial). No Brasil, apenas outras cinco pistas possuem essa certificação (Ibirapuera, Centro Olímpico, Engenhão, Sesi Uberlândia e UFMG, em Belo Horizonte).

O estádio será a sede da ASA São Bernardo, que atualmente conta com 40 atletas que estão sem casa há muito tempo - alguns deles treinam em pistas da capital, outros no litoral. Com a inauguração do equipamento de São Bernardo, a equipe pretende atrair mais atletas. A meta é chegar a 60, pelo menos, segundo o coordenador técnico Otaviano Caetano.

"Por enquanto, estamos espalhados. Sou coordenador de uma equipe, mas a gente quase não conversa", disse o técnico, sobre o trabalho com sete treinadores da equipe adulta e outros dois da iniciação. Reunir o time, por si só, já é uma alegria, combinada com a possibilidade de compartilhar espaço com grandes nomes do atletismo nacional, como Duda. "Acho isso excelente. Quero que a pista tenha da iniciação até o mais alto nível do Brasil. E, no caso do Duda, do mundo", falou Caetano.

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