Campeão do turno

Nas próximas duas semanas, Corinthians, Flamengo e São Paulo disputam o simbólico título do primeiro turno. Continua sendo apenas isso, um símbolo, mas o inédito empate na liderança entre os donos das duas maiores torcidas do país é um dos dois ingredientes que aumentam o sabor da disputa. O outro, os clássicos.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2011 | 00h00

O Corinthians recebe o Ceará hoje, visita o Atlético-MG na quarta-feira e, nos dois próximos domingos enfrenta Figueirense e Palmeiras. O Flamengo visita o Figueirense, recebe o Atlético-GO na quinta-feira, vai ao Beira-Rio jogar contra o Inter e, no domingo, 28, faz o clássico contra o Vasco.

Dependendo dos próximos resultados, os de hoje incluídos, Flamengo e Corinthians podem disputar o título simbólico jogando contra seus mais tradicionais rivais, situação que pode se repetir na decisão do troféu definitivo, dia 3 de dezembro.

Vale dizer que Vasco e Palmeiras, hoje quarto e quinto colocados, também estão na briga, mesmo mais distantes. E o São Paulo, terceiro colocado, outro que pode terminar o turno na liderança, não faz um clássico na última rodada, mas dois nos próximos dois domingos, contra Palmeiras e Santos, respectivamente.

Há três semanas, quando o Corinthians abriu sete pontos de vantagem houve quem imaginasse que não apenas o turno, mas o campeonato estava se resolvendo. Não está.

Hoje é tão claro que o Corinthians precisa de Liedson, quanto de alguém que pare Ronaldinho Gaúcho, autor do passe ou do chute final em oito dos onze últimos gols do Flamengo no Brasileirão.

Assim como não é tão claro que o segundo turno será disputado pelas duas maiores torcidas, cabeça a cabeça. Eis outra diferença do Brasileirão para outros grandes campeonatos do mundo. Na Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, o campeão do primeiro turno da temporada passada foi também o vencedor no final da campanha. Isso valeu para Manchester United, Barcelona, Milan e Borussia Dortmund.

É raro um caso como o do Wolfsburg, nono colocado no primeiro turno alemão de 2009, campeão no final. No Brasil, o Grêmio foi campeão do primeiro turno em 2008 e vice-campeão no final. O Atlético-MG ganhou o turno de 2009 e acabou em sétimo lugar. No ano passado, na 19.ª rodada o líder era o Corinthians, terceiro colocado no final da competição.

Mais um motivo para observar o São Paulo.

Para ganhar o turno e o campeonato, o Corinthians precisa recuperar o faro de gol que desapareceu nos últimos cinco jogos, período em que só venceu uma partida, contra o lanterna América-MG. Quando liderava e tinha sete pontos de vantagem, o Corinthians tinha a melhor defesa, como hoje, mas possuía o melhor ataque, hoje do Flamengo.

Bem-vindo, Liedson!

A crise da seleção. Cada dia mais se diz que a seleção brasileira não comove o País. É a pura verdade... na vitória! Ganhar não parece ter a menor importância. Pouco se comentava se o Brasil de Dunga vencia amistosos contra a Argentina, a Itália e a Inglaterra.

Mas na derrota!

É verdade que o torcedor prefere seu clube à seleção. Sempre foi assim. Em 1958, a torcida paulista foi ao Pacaembu gritar Corinthians, que disputava amistoso contra o Brasil. Em 1969, a torcida do Atlético-MG fez o mesmo contra a seleção, no Mineirão. A diferença é que a torcida queria o jogador do seu clube com a camisa amarela e o defendia, mesmo na crise.

O que dá sinal de que há um resquício de amor pela seleção é o ódio na derrota. E como não há o jogador do seu time, todas as torcidas se juntam para o linchamento público e definitivo. Se a seleção da CBF não tem importância, por que só se falou dela por dois dias, depois da derrota para a Alemanha?

O que falta ao time não é um bom técnico, nem bons jogadores. Falta alguém na parte ofensiva da equipe que ensine o caminho para Neymar, Pato e Ganso - quando jogar. Como Ronaldinho está jogando no ataque, esse alguém é Kaká.

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