Campeão é ''cria'' de Schumacher

Ao ver Vettel correr em seu kartódromo, atual piloto da Mercedes empolgou-se e o indicou a um empresário

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

Na temporada de 2000 da Fórmula 1, na qual Michael Schumacher conquistou o primeiro dos cinco títulos seguidos pela Ferrari, Sebastian Vettel tinha 12 anos e havia pôsteres do ídolo no seu quarto, na modesta casa construída pelo pai, Norbert, carpinteiro até hoje, na pequena Heppenheim, no sul da Alemanha. Ontem, Norbert comemorou a conquista com o filho no circuito Yas Marina.

Ao entrar na adolescência, Vettel substituiu as fotos de Schumacher pelas de mulheres nuas, conforme disse em entrevista ao Estado este ano. Mas também nessa fase ocorreu algo que viria a ser decisivo para dar sequência à carreira de piloto, já iniciada no kart, bancadas com sacrifício pela família e ajuda de amigos. "Eu disputei uma corrida de kart no kartódromo de Michael (Schumacher) e venci com pneus lisos quando chovia"", conta o mais jovem campeão do mundo.

E quem lhe entregou o troféu foi Schumacher, em pessoa. O desempenho de Vettel impressionou tanto o supercampeão, que ele tomou a iniciativa de apresentar Vettel a Gerhard Noach, o mesmo empresário que o ajudara no começo de carreira. "Meu pai trabalhava e era Gerhard quem passou a me acompanhar às corridas de kart."" Noach também investiu dinheiro na formação de Vettel por ter ouvido de Schumacher: "Neste vale a pena.""

Para a imprensa alemã, Vettel lembrou uma passagem pouco comum vivida por ele na prova de Kerpen. "Eu era fã de Michael e da Ferrari, usava regularmente o boné de Michael. Quando alinhei o kart e depois parei no grid, tirei o capacete e pedi o boné.""

O alemão é o terceiro filho de Norbert e Heike. Tem duas irmãs mais velhas e um irmão, Fabian, mais jovem, 11 anos, já competindo de kart também. Era a irmã mais velha quem praticava kartismo e despertou o interesse de Vettel. "Eu não queria sair do kart de jeito nenhum"", conta o piloto. O pai tinha de retirar o menino, convencê-lo a sair.

Vettel vive numa fazenda na Suíça, despojada de grandes confortos, perto do local onde reside também Kimi Raikkonen, seu amigo. "Costumamos jogar peteca juntos"", diz o campeão. A escolha provavelmente tem a ver com a origem simples e a educação recebida de Norbert, metade do seu tamanho, e Heike. "Meus amigos de escola estão na universidade, seguem caminhos intelectuais, mas quando nos reunimos somos os mesmos, apesar de eles me lembrarem que nunca vão ganhar o que eu ganho de salário. Não é bem assim.""

Estima-se que vá faturar, contando os pontos por bônus, este ano, 6 milhões. Na próxima temporada, agora campeão do mundo, a Red Bull deve lhe pagar mais. A empresa austríaca investe cerca de 30% do seu faturamento de 2,5 bilhões anuais em marketing esportivo. Vettel representa, talvez, o melhor resultado dessa estratégia agressiva de investir no esporte, em especial os mais radicais.

ACELERADAS

Por baixo

De provável campeão de 2011 a decepção do fim de temporada. Essa a trajetória de Mark Webber, da Red Bull, apenas oitavo, ontem. "Arriscamos antecipando o pit stop (11.ª volta). Funcionou, mas não para mim, e sim meu companheiro"", disse.

Dever cumprido

Rubens Barrichello, da Williams, 12.º, disse ter atingido seu objetivo: "Ficarmos na frente da Force India."" O time terminou o ano em sexto, 69 pontos, um a mais da Force India.

Indefinição

Lucas Di Grassi, Virgin, e Bruno Senna, Hispania, ficaram em 18º e 19º. Os dois aguardam resposta das várias equipes com as quais negociam.

Rei da noite

Michael Schumacher por pouco não se dá muito mal ontem. "Assustou"", disse, ao falar do acidente com Vitantonio Liuzzi. Uma roda da Force India passou raspando seu capacete.

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