Prancheta do PVC, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

O 19º título paulista do Santos foi conquistado com o melhor ataque, mas não graças a ele. Na reta de chegada, depois de o técnico Muricy ser contratado, o time de Neymar se tornou intransponível em sua defesa. Não foi vazado contra Americana, Paulista, Ponte Preta, São Paulo e Corinthians. Chegou à decisão da Vila intransponível!

Não foi para manter o DNA ofensivo que Muricy foi contratado, mas para transformar um monte de jogadores de talento em um time. ''Quero diminuir o número de vezes que Durval sai da área para fazer a cobertura do Léo'', disse o treinador, na semana de sua chegada. Então era preciso mudar o estilo de Léo. O lateral passou a ser visto menos vezes no ataque, mas de forma precisa. ''Os dois laterais não têm de subir ao mesmo tempo e precisamos de um volante fixo'', também disse Muricy.

Nas finais, Adriano foi esse jogador, porque Arouca estava machucado no primeiro jogo e Danilo suspenso no segundo. Ganhou consistência.

Pela mudança de estilo, o 19º título paulista é de Muricy. Mas é mais de Neymar. Estrela das finais, causou celeuma quando Adílson Batista anunciou que pretendia tirá-lo da ponta e usá-lo pela faixa central do campo. ''É um desperdício deixá-lo tão longe do gol'', afirmou o primeiro dos três técnicos da campanha. Antes de Adílson cair, o Santos deu espetáculo, fez 19 gols em 10 partidas, venceu o clássico contra o São Paulo e perdeu do Corinthians. Com Marcelo Martelotte, mais 18 gols em 7 jogos, a liderança entre os ataques, mas apenas a quarta colocação na tabela. Com Muricy, a defesa melhorou, o ataque não.

Em 2011, o título foi de Neymar, mas também do 1.º campeão paulista com mudança de técnico desde 2004 (quando o São Caetano trocou Tite por Muricy).

JOGADA ENSAIADA

A crise tricolor. Não é verdade que Carpegiani foi vítima da política de renovação proposta pelo São Paulo na sua chegada. Sua afirmação de que o time oscila porque é jovem é meia verdade. A média da equipe derrotada pelo Avaí é de 25,5 anos e apenas dois têm menos de 20 anos: Lucas e Casemiro. Justamente os dois únicos puxados da base e que se tornaram titulares, mas ainda sob o comando de Sérgio Baresi.

Carpegiani é bom técnico, mas não superou o estigma das finais. Houve problemas na reta de chegada entre o elenco e ele porque parte dos jogadores julgava suas decisões confusas e seu comportamento mudado quando as decisões chegaram. Rivaldo não tem razão ao dizer que foi humilhado. Sua entrevista é um símbolo. O outro, a insegurança demonstrada por Carpegiani ao dar instruções a Wellington, tirar os reservas do aquecimento e depois desistir da mudança. Os reservas voltaram a se aquecer e o técnico levou mais dez minutos para decidir por colocar William José em campo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.