Campeão olímpico adverte: segurança é desafio do Rio

Nelson Évora, que compete amanhã no Engenhão, gostaria de disputar Olimpíada no Brasil

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

O alerta veio de um campeão olímpico do salto triplo. O português Nelson Évora disse ontem que torce para o Rio conquistar o direito de ser a sede da Olimpíada de 2016, mas fez uma ressalva: a cidade precisa resolver "muitos problemas" para realizar o evento com sucesso. Sua preocupação principal é com a violência na capital fluminense."O Rio é uma das cidades mais bonitas do mundo, mas há muitas questões que necessitam de solução até 2016, como a segurança, em especial", declarou Évora, de 25 anos, que vai competir pela segunda vez no País. Amanhã, ele disputa o Grande Prêmio do Rio de Atletismo, na moderna pista do Engenhão, sem uso há dois anos. Em 2006, participou do mesmo torneio e ficou em 4º lugar. "Se a Olimpíada fosse aqui, seria a última da minha carreira. Não posso competir eternamente", brincou. Évora é tão simples que nem parece uma estrela. Nos últimos dias, não negou autógrafo ou foto com os fãs e tampouco fez cara feia para conceder entrevista. Pelo contrário. Esbanjou simpatia e bom humor. Durante as folgas, adora andar, principalmente em casa, com os pés descalços. Nascido na Costa do Marfim e criado em Portugal desde pequeno, Évora batalhou bastante até pendurar no pescoço a medalha de ouro nos Jogos de Pequim, em 2008. Diz que "começou a carreira nas ruas", brincando de correr com o filho de um treinador de atletismo, que o convidou para fazer teste num clube. Nem precisa dizer se ele foi aprovado ou não. "Aqui estou hoje. É o destino."Até a consagração na China, superou desconfiança, contusões e adversários. O tamanho da sua ambição é proporcional ao dos seus saltos. O português sonha alto. "Vou em busca de mais títulos e recordes pessoais." Sua melhor marca é 17,74 metros, quando venceu o Mundial de Osaka, em 2007 - em Pequim, alcançou 17,67 m. O recorde mundial pertence ao britânico Jonathan Edwards, que saltou 18,29 m. "Acho que já pisei na Lua. Superar essa marca seria como ir ao espaço", comentou. Falar em Adhemar Ferreira da Silva e em João do Pulo, ex-saltadores de ponta do esporte brasileiro, é mais do que um orgulho para Évora. É sinal de respeito e devoção. "Se fosse hoje em dia, eles atingiriam 18 metros facilmente. Na época deles, competiam sem sapatilhas e fizeram história. Foram superatletas." Amanhã, Évora disputará sua primeira competição desde os Jogos de Pequim. Não entrou em ação antes por opção. Queria descansar e se recuperar de pequenas lesões. Agora, inicia a fase de preparação para o Mundial de Berlim, em agosto, e deve enfrentar um antigo adversário: o brasileiro Jadel Gregório, de quem diz perder sempre. Exagero. Ganhou, por exemplo, em Pequim. "Nossa relação é boa. Esporte não é guerra", afirmou. "Vamos ver se haverá surpresa no GP do Rio", completou o saltador, sobrinho de Cesária Évora, a cantora mais badalada de Cabo Verde, e admirador confesso de Ronaldo Fenômeno. "Já até trocaram o nome dele", ironizou, referindo-se ao apelido de "Fofão" que o atacante ganhou pelo excesso de peso.

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