2 Soul
2 Soul

Conheça o campeão antecipado da SuperBike, Pedro Sampaio, um apaixonado por ciclismo

Piloto de 24 anos compete desde os oito anos e divide a rotina em Bento Gonçalves com o estudo e o trabalho em uma empresa

Eugenio Goussinsky, especial para o Estadão

17 de dezembro de 2021 | 14h00

Em alguma parte do dia, tem sido comum, em Bento Gonçalves (RS), o ronco do motor se misturar ao canto dos pássaros e ressoar do planalto da serra gaúcha. Quando isso acontece, o jovem Pedro Sampaio, de 24 anos, natural da cidade, está treinando com uma moto em um dos autódromos locais.

Nesta última semana, os treinos se direcionam à grande final de domingo da SuperBike, em Interlagos, quando ele receberá formalmente o troféu de campeão da categoria Pro, a principal desta modalidade. Após dois vice-campeonatos, Sampaio vibra com o atual momento e sabe que o título coroa um trabalho feito com esforço. Neste ano, ele se transferiu para a equipe RXP Racing Team.

"É um momento especial, estou desfrutando do título com muito prazer, pois é o resultado de um trabalho em conjunto, do esforço da equipe, da minha família, meu e de todos que trabalharam ou torceram. Não é fácil alcançar essa conquista em uma competição com tantos concorrentes de alto nível", diz.

A precisão é a marca de Sampaio. Das sete etapas em 2021, ele venceu em quatro delas. No SuperBike desde 2016, ele já ganhou título em outras categorias e divide a carreira de piloto com a de estudante de Engenharia Mecânica. 

Além de aliar com o trabalho em uma empresa ligada ao comércio de aço, de propriedade de sua família. Mesmo assim, há tempo para treinar com intensidade. "Bento Gonçalves oferece muitas opções de autódromos. Mesmo campeão, estou trabalhando para finalizar bem o ano, nesta última etapa", diz.

Curiosamente, Sampaio costuma subir na moto apenas dentro do circuito. A relação dele com a moto é de desafio, de intimidade, de reflexão a cada curva, de detalhes que ele não encontra na rotina, andando de moto nas ruas. "No dia a dia, utilizo o carro para me locomover de um lugar ao outro. Amo andar de moto, mas nas competições, no circuito. É uma situação única. Faço por paixão", observa.

A paixão pela velocidade surgiu quando ele tinha cinco anos. Aos oito, ele já disputava competições de motocross, antes da existência da categoria SuperBike Escola, direcionada à formação de pilotos. "Desde cedo amo a velocidade. Naquele tempo, disputei provas com competidores bem mais velhos. Não havia uma divisão por idades entre as crianças e adolescentes. E acho que me dei bem porque não me deixei levar pelo medo. A palavra certa para tal situação é respeito. Temos de respeitar os limites, as condições dos autódromos, ainda ruins no Brasil, e a velocidade. Tive isso desde cedo e por isso acredito que consegui me adequar às exigências do esporte. O medo, principalmente em excesso, é paralisante", afirma.

Morando em sua cidade com a namorada, ele ainda encontra tempo para mais uma atividade pelo qual é apaixonado: o ciclismo. Frequentemente, Sampaio faz longos percursos, mas dá vazão a um outro lado de esportista. "A diferença entre o ciclismo e a motovelocidade é que, na bicicleta, a resistência física é predominante. Significa 60% a 70% da atividade. Em cima da moto, as necessidades maiores são outras. São feitas de desafio, de técnica e de precisão, que representam esses 60% a 70% na motovelocidade", conta.

Em cima da bicicleta, Sampaio utiliza o esporte como um instrumento a mais para se integrar à região em que mora. Ao pedalar, percorre a serra gaúcha também ouvindo o canto dos pássaros. Desta vez, sem o ronco dos motores. É quando a adrenalina dá lugar à contemplação. Duas facetas diferentes, sobre duas rodas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.