Tarso Sarraf/ Especial para o Estado
Tarso Sarraf/ Especial para o Estado

Campeões de surfe participam da pororoca, no nordeste do Pará

Objetivo deste ano é quebrar recorde de surfistas na mesma onda

Gabriela Azevedo, Especial para o Estado

21 Março 2015 | 17h31

“É um espetáculo, só tem uma chance, só uma”, acredita o surfista suíço Samuel Kägi. A experiência de surfar em uma pororoca é única para eles. Campeões e surfistas de todos os cantos do mundo procuram a onda que surge nos rios. Um fenômeno da natureza provocado pelo encontro das águas oceânicas com as fluviais. A pororoca acontece todo ano, mas sua maior força é nos meses de março e abril.
 
Há 17 anos, surfistas se encontram no município de São Domingos do Capim, no nordeste do Pará, para tentar surfar essa onda. O carioca Ricardo Tatuí é surfista há 37 anos, já correu Circuito Mundial três vezes. “Foi o primeiro a vencer o campeonato de Surfe na Pororoca, na primeira edição. E essa onda é muito especial, a expectativa faz isso, é atípica no mundo do surfe, é diferente. Quem não é do Brasil quer saber como funciona. E vindo algumas vezes a gente sabe duas coisas características sobre a vinda dela. A maré começa a puxar bastante em direção a ela e uma chuva fina começa a cair”, comenta.
 
Com o tempo os surfistas se adaptam a pororoca e conhecendo mais da onda fica mais fácil controlar a ansiedade. Adilton Mariano é Campeão Brasileiro nas categorias Amador e Profissional, mas foi surfando a pororoca que se tornou Hepta Campeão. “Surfo há mais de 20 anos, e fui campeão da pororoca por sete vezes. Aqui é outra coisa. A água é diferente, a prancha precisa ser outra, a força da onda é maior e ainda tem o visual e a magia desse lugar. É um bom lugar para estar e se sentir em harmonia com a natureza. Apesar disso, não é fácil. Já perdi várias vezes. O mais difícil é a condição que ela vai dar para você fazer sua performance”, comenta. 

E mesmo para os mais experientes, a primeira vez em uma pororoca é difícil. Pablo Paulino, é Bi Campeão Mundial Pro Júnior e ansiava pela primeira pororoca. “Já tinha ouvido falar, mas é uma experiência nova. Eu só tinha surfado nas ondas do mar mesmo. Hoje vejo que a força da natureza é muito incrível. Uma onda tão forte que dá para muitas pessoas surfarem. Apesar dela ser pequena, tem muita força. Perceber que quando ela está chegando dá para ouvir a zuada da onda quebrando os galhos no caminho. Ontem foi meu batizado, eu estava muito ansioso. Até agora essa é a onda mais difícil que já surfei, é uma novidade para mim. Ela faz a gente surfar por muito tempo”, diz. 
 
FESTIVAL
De 19 a 22 de março são realizados o XVII Surfe na Pororoca e XV Festival da Pororoca, no município de São Domingos do Capim, interior do Pará. O Festival da Pororoca é uma série de atividades sociais e esportivas, promovidas pela Prefeitura Municipal e o Governo do Estado. Já o XVII Surfe na Pororoca, realizado no Rio Capim, já foi uma competição, mas esse ano é uma tentativa de quebra de recorde com o maior número de surfistas na mesma pororoca, além de realizar o Surfe Noturno com 10 atletas profissionais.

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