Campeonato merecido

Neste domingo o Campeonato Brasileiro de 2010 conhecerá o seu legítimo e merecido campeão. Mesmo sem ter o poder premonitório de apontar o campeão antes da hora - embora eu não precise ser um oráculo para dizer que só uma tragédia tirará esse título do Fluminense -, não tenho nenhuma dúvida quanto à legitimidade e o merecimento da conquista, pertença ela, no fim, ao Tricolor das Laranjeiras, ao Corinthians ou ao Cruzeiro.

MARCOS CAETANO, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

Caso o Fluminense confirme seu favoritismo e bata o rebaixado Guarani, time de pior campanha no segundo turno da competição, o pior visitante do campeonato, que atuará desfalcado de vários jogadores, parabéns, torcida tricolor. O time de Muricy Ramalho, técnico mais regular e vencedor do futebol brasileiro nos últimos anos, tem inúmeras justificativas para celebrar a sonhada volta olímpica após 26 anos sem conquistas no campeonato nacional. Além do grande técnico, o clube tem um elenco forte, com um goleiro que despontou na reta final do torneio e não falhou nem sequer uma vez, uma dupla de zaga extraordinária no jogo aéreo, dois laterais rápidos e ofensivos, volantes que sabem sair jogando, um meio de campo classudo e um ataque que, não fossem as contusões e a má fase de Washington, seria espetacular. Além de tudo isso, o Flu liderou dois terços da disputa e tem ninguém menos do que o craque do campeonato, único jogador de linha a disputar todas as partidas na vitoriosa campanha: Conca. O argentino, sozinho, já faria seu time merecer o título.

O Corinthians seca o Fluminense e manda (dizem) malas e mais malas brancas para revigorar o moribundo Guarani. Até Ronaldo, do alto de sua alta conta bancária, sinalizou que poderia casar algum para a caixinha de final de ano do Bugre. Não levo tanta fé nesse expediente, embora entenda que faz parte do jogo. Se me pagarem um milhão de dólares para derrotar o campeão mundial de vale-tudo, nem com todo o incentivo financeiro eu aguentaria mais do que alguns segundos com um brutamonte no octógono. Não há dinheiro que compre talento, e o time do Guarani tem pouquíssima técnica. No entanto, se o Fluminense tropeçar diante de um adversário tão frágil, não terá razão para considerar injusto o título do rival paulista. O Tricolor não deve temer os campineiros, mas a ansiedade. E um campeão que se preze precisa saber controlar os próprios nervos.

Enquanto o Timão corre por fora, já na última raia, o Cruzeiro corre ainda mais por fora, lá na grama. Se o esporte discutido na coluna de hoje fosse o basquete ou o vôlei, eu diria para os cruzeirenses ficarem em casa e economizarem o preço do ingresso. Mas, quando o assunto é futebol, impossível é só uma força de expressão. No máximo, existe o improvável. E caso o improvável venha por meio dos tropeços de Fluminense e Corinthians, o time azul do competente Cuca e do brilhante Montillo terá todos os motivos para ser proclamado um justo campeão.

Porque um verdadeiro campeão é aquele que acredita sempre e não pisca os olhos na hora mais grave.

A decisão do título, entretanto, não é o único atrativo de um domingo eletrizante. Grêmio e Botafogo decidirão, em confronto direto, a última possibilidade de classificação para a Libertadores. Por enquanto, só uma possibilidade - porque, se depender do Goiás, essa vaga se evaporará na próxima semana, em Avellaneda. O favoritismo é todo do Grêmio, que joga em casa e tem a melhor campanha do segundo turno. Só que esse é o tipo de jogo em que Papai Joel costuma botar no bolso. Os gaúchos que se cuidem. Nas profundezas da classificação, também em confronto direto, Vitória e Atlético-GO lutarão pelo último ingresso para a Série A do ano que vem. O Vitória tem a vantagem do Barradão lotado e sonha com um Ba-Vi de primeira na próxima temporada. Se segurarem a absurda pressão, os rubro-negros goianos podem dificultar as coisas para os rubro-negros baianos.

Vai sobrar emoção e faltar espaço nas páginas dos jornais de segunda-feira.

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