O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2008 | 00h00

E finalmente o futebol está de volta! Com paciência e certo grau de fingimento, passei a temporada de recesso sem sintomas da síndrome de abstinência. Exagero, é claro! As férias são fundamentais para recuperar a qualidade do interesse, renovar baterias para a batalha da vida e também para botarmos as coisas em nova perspectiva. Mas confesso que minha paixão pelo futebol beira à indecência. O hábito ancestral e hereditário de ir direto aos cadernos de Esportes todas as manhãs se desenvolveu e se transformou numa espécie de maníaca investigação do que estaria perdido nas entrelinhas e implícito no espaço entre os parágrafos. A leitura dos boletins online pode ser perigosa forma de obsessão e vício. Ali as novidades sempre são antecipadas, os boatos podem ser rapidamente descartados e até as boas novas chegam antes das manchetes do matutinos. Em primeiro lugar, checamos o dia-a-dia do nosso time para depois espiar o que ocorre com os concorrentes. É uma espécie de prazer sutil e doce, principalmente quando o mercado está agitado e as novidades não cessam de espocar.São significativas as mudanças de alguns elencos. Mano Menezes e Luxemburgo contaram com o trabalho de suas diretorias, que buscaram atletas adequados às respectivas filosofias e preferências. O São Paulo continuou com sua política contida mas efetiva, e surpreendeu pelo nomes que trouxe - atletas que aparentemente não têm a ver com o perfil "sóbrio?? do clube.Diferentemente do que sempre fez, Marcelo Teixeira não mexeu nos cofres. Talvez a presença de Leão sugira que as apostas ficaram nas categorias de base. E a volta da Portuguesa vem contaminada da alegria e da confiança de quem cumpriu brilhantemente suas metas no ano que passou.Lamento apenas que o calendário não reserve tempo maior para pré-temporadas. A fórmula assimétrica do campeonato regional faz dele um torneio manco, com ares de "lições preparatórias??. Espero não estar diminuindo sua importância, principalmente para os times que não disputarão os torneios rentáveis e graúdos que começarão mais pra frente. Mas isso não importa agora. A temporada começou e, mesmo com a espantosa revelação de que há pouquíssimos estádios liberados, jogos é que não faltarão.Se da mesma maneira que este verão nos surpreendeu com o sol escaldante que voltou a brilhar como outrora, quem sabe o nosso Campeonato Paulista não seja também surpreendente: disputadíssimo, empolgante, eletrizante. As tabelas pregadas nas portas dos armários estão à espera da caneta que irá preencher as lacunas circunscritas. Em poucas semanas teremos mais dados e base para analisar o desempenho dos atletas contratados. Há um bocado deles vestindo uniformes que jamais imaginariam trajar. Gente que voltou das temperaturas polares do Hemisfério Norte vai suar em bicas até verter sangue. Afinal de contas, seu prestígio depende da qualidade do futebol apresentado em campo.Quando o jornal que leva este artigo estiver sendo debulhado pelos leitores, os primeiros resultados serão conhecidos. E assim, rodada após rodada, os times revelarão o que até agora é apenas insinuação e incógnita. Como na vida, aquilo que planejamos e desejamos pouco vale se não riscar na tábua da realidade a evidência de sua existência. Sonhos são fundamentais. Mas chega uma hora em que é preciso levantar a cabeça do travesseiro. A hora é essa!

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