ERIC GAILLARD | REUTERS
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Canadense sai do coma para o bronze na neve

Um ano depois de ter 17 ossos quebrados após uma queda durante seus treinos, Mark McMorris celebra nova fase da vida

PYEONGCHANG, Impresso

12 Fevereiro 2018 | 09h00

Mark McMorris completou ontem um ciclo no snowboard, aquela modalidade em que o atleta desliza sobre o gelo em cima de uma prancha superando obstáculos. Em menos de um ano, o canadense foi do estado de coma, com risco de morte, até o pódio, com uma medalha de bronze no peito nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang, na Coreia do Sul.

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“Tenho de me beliscar para acreditar no que está acontecendo. Pensei que fosse ficar com alguma sequela ou que não estaria mais aqui. Eu me sinto abençoado por essa medalha”, disse McMorris, de 24 anos, ontem, na cerimônia de premiação.

Em março do ano passado, o atleta entrou em coma após um acidente no treino em Vancouver, no Canadá. Um salto saiu errado e ele bateu numa árvore. Foram 17 ossos quebrados, lesões graves no pulmão e no baço. A própria família registrou a imagem de seu estado grave no hospital, o que comoveu o mundo do esporte. O acidente interrompeu a melhor fase de sua carreira, coroada com uma medalha – outro bronze – na edição anterior dos Jogos de Inverno, em Sochi, em 2014.

A recuperação demorou mais de seis meses. De forma surpreendente, em setembro, McMorris estava de volta ao esporte e conquistou uma vaga para a Olimpíada de Inverno. Ontem, no segundo dia de disputa, ele levou a medalha de bronze no snowboard slopestyle. Na prova, o atleta desliza sobre a neve em cima de uma prancha e salta em uma rampa. A pontuação é dada pelo grau de dificuldade de cada manobra feita no ar.

A superação ao longo do ano lhe rendeu inúmeros apelidos, como “Highlander”, “Homem de Ferro” e “Inquebrável”. Por outro lado, a coragem para voltar a encarar montanhas e saltos equivalentes a prédios de quatro andares rendeu críticas. Jake Burton Carpenter, atleta considerado o “pai do snowboard”, comentou que McMorris era louco por ter se arriscado pelo ouro olímpico um ano depois de um acidente tão grave. Nos últimos dois anos, perdeu 13 meses só se recuperando de lesões e das múltiplas cirurgias. Mark cresceu na região de Saskatchewan, província central do Canadá onde as temperaturas podem chegar a -45ºC no inverno. Lá, o snowboard é um meio de transporte. Na adolescência, teve de convencer os pais a deixar a escola para se dedicar apenas às pranchas.

Na prova de ontem, McMorris foi derrotado pelo compatriota Max Parrot, dono da prata, e pelo norte-americano Redmond Gerard, que levou o primeiro ouro dos Estados Unidos em Pyeongchang. Com só 17 anos, Gerard se tornou o mais jovem norte-americano a ganhar medalha na modalidade.

A próxima meta de McMorris é ganhar o ouro no “Big Air”, que estreia nesta Olimpíada. A nova categoria é uma espécie de trampolim gigante que permite manobras mais longas no ar.

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