Sergio Dutti/COB
Sergio Dutti/COB

Canoagem dá esperança para os Jogos Olímpicos do Rio

Isaquias Queiroz conquistou um ouro e uma prata em Welland

Paulo Favero, ENVIADO ESPECIAL A TORONTO, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2015 | 07h00

A canoagem brasileira conquistou quatro medalhas nas disputas nesta segunda-feira em Welland. Isaquias Queiroz levou um ouro no C1 1.000 metros e uma prata no C2 1.000 metros, ao lado de Erlon Silva. Celso Dias e Vagner Souta ganharam o bronze no K2 1.000 metros, e Ana Paula Vergut ficou em terceiro lugar no K1 500 metros.

Com duas medalhas no peito, Isaquias foi o grande nome do Brasil, ainda mais porque ganhou a medalha de prata menos de uma hora após ter conquistado o ouro. “A gente sabia que poderia ganhar a medalha, mas que seria difícil. Apesar do cansaço, fomos até o fim e ficamos com a prata”, disse. Seu companheiro Erlon também festejou. “Já somos respeitados pelo nosso trabalho.”

Os dois cresceram na Bahia, perto de Rio de Contas, e lá deram as primeiras remadas. Isaquias é, sem dúvida, o melhor de sua geração e com grande potencial para os Jogos Olímpicos do Rio. “O desafio faz com que a gente se supere sempre. É preciso ter muita força de vontade”, contou.

Ele tem sido considerado “fenômeno” e “ponto fora da curva” pelos especialistas. No exterior, ganhou a alcunha de “monstro” por ser forte nas remadas, tanto que especialistas da Alemanha já o convidaram para ir até a Europa a fim de estudarem seu talento. “Eles querem colocar um computador na minha canoa para analisar minha performance”, conta.

Isaquias perdeu um rim quando era pequeno, mas isso nunca atrapalhou seu desempenho. “Tem um amigo que brinca comigo e fala que eu só tenho um rim, mas tenho também três pulmões”, afirma, rindo. “Sorte que não preciso de cuidados especiais. Tenho apenas de me preocupar com a hidratação.”

Como outros garotos de sua terra na Bahia, Isaquias começou a dar suas primeiras remadas perto de casa. Ele começou a praticar a canoa, mas lembra que os instrutores ficavam bravos quando ele sumia com ela. “Remava para outro lado, dava uns mergulhos, e depois recebia broncas.”

Apoio total. Irreverente, ele é ao mesmo tempo xodó da seleção brasileira e quem mais incentiva os companheiros. “Ele é um fenômeno, e me ajudou muito no ano passado. Agradeço muito a ele”, afirma Ana Paula Vergut, que com o bronze de ontem se tornou a primeira mulher do Brasil a ganhar uma medalha na canoagem.

A garota de Cascavel, cidade do interior do Paraná, festejou muito a conquista da medalha. “Estou super feliz com isso. Acho que essa medalha inédita ajudará a dar mais visibilidade para o nosso esporte e poderá servir de exemplo para os jovens.”

No outro bronze do dia, Celso Dias e Vagner Souta tiveram uma prova bem disputada, inclusive após o término com uma alegação de que a dupla brasileira havia saído de sua raia. Mas após análise, a medalha de bronze foi confirmada. 

“O final da prova teve muita apreensão. Mas conseguimos um resultado muito expressivo”, afirmou Celso. Os dois também enxergam em Isaquias um atleta que pode levar a bandeira do Brasil muitas vezes ao lugar mais alto do pódio.

“Ele é um fenômeno”, garante Celso, corroborando as opiniões dos colegas de equipe. “Os resultados que ele vem obtendo falam tudo."

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