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Canoísta canadense volta para casa 'Hobbit' sem vaga olímpica

Atleta construiu residência em traseira de caminhonete para competir

Paulo Favero, ENVIADO ESPECIAL A TORONTO, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 10h38

A estrada que leva para os Jogos Olímpicos do Rio é longa e tortuosa. Para Ben Hayward, canadense da canoagem slalom, o primeiro obstáculo surgiu justamente nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, disputados no quintal de sua casa. Na prova do K1, ele ficou com a medalha de bronze e não conseguiu garantir a vaga olímpica. "Definitivamente não gostei do resultado. Fiz o possível para me classificar, mas tenho de continuar atrás do sonho", avisa.

Seu maior objetivo é carimbar o passaporte para a competição no Brasil no próximo ano. Para isso, o atleta que é formado em arquitetura construiu uma espécie de casa, no estilo 'Hobbit', na caçamba de uma caminhonete que adquiriu por um bom preço. Nela, ele circula pelas estradas da Europa para disputar as competições e, ao mesmo tempo que tem transporte, também tem um teto para dormir.

Ele comprou o veículo usado por cerca de US$ 2 mil e passou a criar uma residência na parte de trás da caminhonete. Com sete metros quadrados de área, é lá que ele dorme, descansa e carrega os caiaques de outros atletas entre uma competição e outra, a fim de ganhar um trocado. Hayward explica que os esportes de verão no Canadá recebem pouca ajuda de patrocínio, então ele teve de se virar para conseguir ser um atleta profissional com poucos recursos.

Aos 25 anos, o rapaz de Edmonton é o melhor canoísta do Canadá, mas sabe que terá que contar com seu próprio esforço para chegar mais longe. "Eu me preparei da melhor forma possível, mas cheguei em terceiro na disputa. Sabia que podia vencer esses caras, mas essas coisas fazem parte do esporte", explica.

Logo que adquiriu o carro, ele montou um casulo atrás que tinha apenas uma cama e quase nenhum conforto. O próprio atleta usou madeira para criar sua casa 'Hobbit'. Aos poucos, ele foi incrementando o espaço, criou uma pequena cozinha, e então teve a ideia de arrecadar doações de pessoas pela internet. Para cada fã que colocava o dinheiro em seu sonho, ele escrevia o nome do doador na parede da sua residência nômade.

Quando começa temporada europeia de canoagem slalom, ele parte para as disputas, mas costuma ter como base de treinamento a Alemanha e a França, quando o inverno fica mais rigoroso e ele precisa de águas menos geladas. "A preparação foi muito boa. Eu disputei a Copa do Mundo e usei como preparação para o Pan. Olhando para trás, acho que fiz tudo certo, mas infelizmente na hora da prova as coisas não saíram como eu queria", comenta.

É na Europa que estão os melhores do mundo na modalidade, mas Hayward sabe que o treinamento é muito importante, até porque na canoagem slalom as disputas se dão em trechos de água, naturais ou artificiais, de 400 metros de comprimento onde os obstáculos estão escondidos. Até por isso não existe recorde mundial, pois cada dia de competição é diferente do outro.

A opção por levar sua casa 'Hobbit' na bagagem não é apenas um meio de economizar dinheiro, mas também virou um estilo de vida. O canadense barbudo vem chamando atenção por sua ideia peculiar e angariando cada vez mais fãs. A torcida é para que ele consiga encontrar o caminho mais curto para o Rio de Janeiro. "Foi bom pelos últimos anos. Vou voltar para a Europa e continuar tentando. Quero outras chances para me classificar para os Jogos do Rio", conclui.

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