Sérgio Berezovsky/Estadão
Sérgio Berezovsky/Estadão

Cantora medalhista, Che Guevara repórter e meningite: 15 curiosidades sobre o Pan

Competição que reúne os países das Américas guarda uma série de histórias inusitadas

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2019 | 10h44

Os Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, começam nesta sexta-feira com vários atletas em busca de medalhas e vagas olímpicas, assim como dispostos a escrever os nomes na história. A competiçõe reúne os países das Américas desde 1951 e já revelaram ídolos do esporte, além de terem deixado um legado rico de curiosidades para os fãs. O Estado relembra alguma das passagens mais inusitadas dessa trajetória.

1) O reconhecimento de Fidel Castro

Com Paula, Hortência e Janeth, a seleção brasileira feminina de basquete conquistou o ouro no Pan de Havana, em 1991, com uma grande campanha. A equipe ainda bateu na final as donas da casa por 97 a 76. O presidente do país na época, Fidel Castro, acompanhou a partida e depois, na cerimônia de entrega de medalhas, ainda brincou com as brasileiras. Castro deu parabéns às atletas e brincou que eles tinham "mira laser" nas mãos devido à precisão nos arremessos.

2) Fracasso de inverno

A organização do Pan resolveu inovar para 1990. O plano era ter a cada quatro anos uma edição dos Jogos Pan-Americano de Inverno. A estreia foi em Las Leñas, na Argentina, onde a escassez de neve dificultou a programação e fez o evento ter somente três competições. Depois da programação fracassada, a ideia dos Jogos de Inverno nunca mais foi colocada em prática.

3) Fogo índigena

O Pan realizado em São Paulo, em 1963, quebrou uma tradição. Historicamente o fogo da chama Pan-Americana é aceso em uma cerimônia realizada por índios astecas, no México, e depois é levado ao país que receberá a competição. No entanto, na edição paulista do evento, quem acendeu o fogo foram índios carajás. Descendentes de uma tribo na região da Brasília foram os responsáveis pela cerimônia inicial. Depois a chama foi transportada para São Paulo.

4) Michael Jordan assombra o Pan

Em 1983, em Caracas, um jogador americano chamou a atenção dos demais países das Américas. Então com 20 anos, Michael Jordan era atleta universitário quando desembarcou na Venezuela para jogar pelo seu país no torneio. O jovem que seria um dos maiores nomes do esporte foi o cestinha americano no torneio e chegou ainda a enfrentar (e vencer) duas vezes o Brasil na ocasião.

5) Os desertores

No Pan do Rio, em 2007, dois boxeadores cubanos aproveitaram a permanência no Brasil pela competição para não voltar ao país de origem. Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara fugiram da Vila dos Atletas com o intuito de fixar residência no Brasil e não retornar. Porém, os dois foram descobertos, acabaram enviados para Cuba semanas depois e tiveram de resolver problemas com o governo local pela atitude rebelde.

6) Adiado pela guerra

A ideia de criar os Jogos Pan-Americanos surgiu em 1940, mas a primeira edição do evento demorou para ser realizada. O motivo da espera foi a Segunda Guerra Mundial, a responsável por cancelar a disputa da primeira edição, em 1942, em Buenos Aires. No mesmo ano, a entrada dos Estados Unidos no conflito mexeu com os planos da organização. O primeiro Pan só seria disputado na capital argentina em 1951, seis anos depois do fim do conflito.

7) Desistências em série

A organização do Pan de 1975 foi tumultuada. A cidade sede teve várias mudanças até a capital mexicana aceitar a missão de realizar a competição. Inicialmente, Santiago receberia o evento. Só que após o golpe militar do general Augusto Pinochet, o país retirou a candidatura. A segunda tentativa ficaria com San Juan, mas a capital de Porto Rico não topou pois já teria de receber a edição seguinte do Pan. Na sequência, São Paulo também desistiu porque sofria com um surto de meningite.

8) Algoz do Brasil

Antes de se tornar uma estrela no UFC, a americana Ronda Rousey se destacou nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. Então como judoca, ela foi ouro a categoria até 70kg. Aos 20 anos de idade, Ronda garantiu a conquista ao derrotar na decisão a brasileira Mayra Aguiar.

9) Che Guevara jornalista

No Pan da cidade do México, em 1955, o argentino Ernesto Che Guevara trabalhou como repórter. Três anos antes de liderar a Revolução Cubana, ele cobriu o evento ao fazer fotos e enviar fotografias para a Agência Latina da Argentina. Meses depois do evento ele se casaria no México com a economista peruana Hilda Gadea.

10) Abertura sem tocha

A cidade canadense de Winnipeg recebeu em 1967 a cerimônia de abertura mais frustrante de um Pan-Americano. Com chuva forte, a festa sequer conseguiu ter uma pira acesa. Mesmo depois de muitas tentativas, foi preciso ignorar a falha e disputar toda a competição sem a chama simbólica.

11) Ouro dividido

Um vexame marcou a final do torneio de futebol masculino no Pan da cidade do México, em 1975. O Brasil e a equipe da casa empatavam por 1 a 1 na prorrogação quando caiu a luz do estádio Azteca. Sem previsão de retorno da energia, os dois times combinaram em se declararem campeões pan-americanos. O problema foi na hora da premiação. Como havia somente um número insuficiente de medalhas de ouro para os dois elencos, alguns brasileiros e mexicanos tiveram de ficar sem a honraria.

12) Cantora no basquete

A cantora Simone, famosa pelas músicas "Então é Natal" e "Iolanda", se dedicava ao esporte antes de migrar para MPB. Então aos 20 anos, a jogadora participou da campanha do título da seleção brasileira feminina de basquete no Pan-Americano de Cali, na Colômbia, em 1971. Pouco depois, ela largaria o esporte para focar exclusivamente na carreira artística.

13) Mortes misteriosas

O remador brasileiro Ronaldo Arantes foi assassinado misteriosamente horas depois do encerramento do Pan de Chicago, nos Estados Unidos, em 1959. O corpo dele foi encontrado perdo do local de hospedagem da equipe brasileira. O caso nunca foi esclarecido pela polícia americana, que descartou se tratar de suicídio e latrocínio. Em 1971, na Colômbia, um membro da delegação cubana morreu ao cair do quinto andar de um prédio. A principal hipóteses para explicar o caso foi o suicídio.

14) Dirigente medalhista

Ex-presidente da Fifa e um dos dirigentes mais influentes da história do futebol, o brasileiro João Havelange fez história no primeiro Pan, em 1951, em Bueno Aires. Então com 34 anos, ele defendia a seleção de polo aquático e foi medalhista de prata. Na final, a equipe brasileira perdeu para os donos da casa.

15) Festa no Pacaembu

Quando sediou os Jogos Pan-Americanos, em 1963, a cidade de São Paulo recebeu o evento de forma calorosa. O principal palco da competição foi o Pacaembu, local da cerimônia de abertura. Entre os destaques daquela edição está o futebol masculino. Os garotos Jairzinho e Carlos Alberto Torres foram campeões e começaram a formar o entrosamento que anos mais tarde, em 1970, se repetiria na Copa do México.

 

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