Mazen Mahdi/EFE
Mazen Mahdi/EFE

Caos cancela GP2 Ásia no Bahrein e preocupa Fórmula 1

Prova no circuito de Manama está ameaçada por conta dos embates entre os manifestantes e a polícia local

AE, Agência Estado

17 de fevereiro de 2011 | 10h57

MANAMA - Os organizadores da GP2 Ásia anunciaram o cancelamento da etapa do Bahrein da categoria, depois que a repressão aos protestos contra o governo local deixaram quatro mortos nesta quinta-feira. A decisão acontece menos de um mês antes da realização da prova de abertura da Fórmula 1 no circuito de Manama. O GP do Bahrein está marcado para 13 de março e os membros das equipes devem chegar ao país em dez dias, já que testes estão marcados para acontecer em Manama entre 3 e 6 de março.

Inicialmente, apenas as atividades da sexta-feira da GP2 Ásia haviam sido canceladas. "Na sequência dos acontecimentos no Bahrein, a pedido da Federação de Automobilismo do Bahrein, foi decidido que o encontro que deveria acontecer esta semana no Circuito Internacional do Bahrein está cancelado por motivos de força maior", afirmou, em comunicado oficial, os organizadores da GP2 Ásia.

Luiz Razia, único brasileiro da categoria, tem acompanhado de perto os episódios locais e revelou que a situação ficou mais crítica ao longo da semana. 

"Os protestos estão crescendo e a polícia, juntamente com o exército, decidiram fazer alguma coisa, então, as ruas estão bloqueadas. É muita policia para todo lado; é um pouco assustador ver tanques de guerras nas ruas", afirmou.

Com o agravamento dos embates, o piloto recebeu orientação do governo para não deixar o hotel. "As autoridades pedem para as pessoas saírem de casa. Nós teríamos de ficar no hotel. Estamos no circuito no momento, mas as coisas não estão indo de acordo", disse.

No início desta semana, a Federação Internacional de Automobilismo expressou confiança de que os protestos no país não vão impedir a realização da corrida da Fórmula 1. "Eu sempre tento não reagir precipitadamente com notícias de última hora. Número um, você tem que verificar qual é a realidade - que nem sempre é o que você ouve - e para reagir sem emoção demais e para enfrentar adequadamente o problema", afirmou Jean Todt, presidente da FIA, ao jornal irlandês Irish Independent.

Nesta quarta-feira, dezenas de veículos blindados da polícia foram usados para reprimir as manifestações na Praça Pérola, no centro de Manama, capital do Bahrein. Os policiais chegaram quando os manifestantes dormiam na praça e usaram gás lacrimogêneo e tiros de borracha. A polícia já havia lançado antes uma violenta ação para retirar manifestantes da área, segundo testemunhas. Os protestos começaram na segunda-feira. Os manifestantes exigem mais democracia e melhorias econômicas, e se inspiram nos levantes ocorridos na Tunísia e no Egito, que terminaram com a renúncia dos líderes desses países.

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