Capôs voam na pista de Interlagos

Oito carros perdem a peça na prova, vencida por Paulo Salustiano

Nícolas Borges, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2009 | 00h00

Horas antes, na abertura da Fórmula 1, a dobradinha da Brawn surpreendeu a todos. Já na primeira prova da Stock Car Brasil em 2009, o motivo do espanto foi menos honroso e ofuscou uma prova bem disputada no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A vitória ficou com o novato Paulo Salustiano, que já havia surpreendido ao largar na pole. O atual campeão, Ricardo Maurício, e Antonio Pizzonia completaram o pódio.Pelo menos oito carros perderam seus capôs ao longo da corrida - a organização da prova não confirmou o número exato de capôs que se soltaram -, colocando os pilotos em risco. "Não deu nenhum sinal. De repente, o capô simplesmente soltou. Avisei pelo rádio que ia parar e solicitei um novo, mas a organização não tinha nenhum disponível. Isso não pode acontecer", contou Pedro Gomes."Não é preciso nem bater para o capô sair voando. Basta se aproximar do carro que vai à frente", criticou o diretor da equipe Medley, Andreas Mattheis, revoltado com o festival de capôs voadores que marcou a corrida. "E o interessante é que o carro fica um segundo mais rápido por volta sem o capô", espantou-se o dirigente, que disparou contra as oito punições aplicadas pela direção de prova. "Uma coisa é uma peça ameaçando se soltar, colocando os demais em perigo. Um carro sem capô não oferece risco", defendeu."A confiabilidade dos carros está preocupando os pilotos. Precisamos resolver esses problemas já para a etapa de Curitiba (em 12 de abril)", disse Popó Bueno. No seu caso, os problemas foram outros. Por causa do calor excessivo nos pedais, ele abandonou a prova a apenas três voltas do final com bolhas no pé, mesmo usando palmilha de amianto e duas meias.E, antes da largada, ele já tinha passado apuros. "Quando estava indo para o grid, tive um problema de vazamento de combustível dentro do carro. Fiquei bastante preocupado pois o risco de incêndio era grande", comentou Popó. De acordo com a assessoria de imprensa da Stock Car, os capôs soltos ocorreram porque houve toques muito fortes entre os carros. Vale lembrar que os contatos são comuns na categoria.O próprio vencedor se beneficiou com uma das coberturas de motor voadoras. No caso, a de Ricardo Zonta, que ficou sem a sua na 19ª volta, três passagens depois de acertar a traseira de Salustiano. Na 22ª volta , o ex-piloto da Fórmula 1 assumiu a ponta e terminou a prova, mas não levou.Zonta foi desclassificado por não ter respeitado a direção de prova, que o havia obrigado a parar para colocar um capô novo. Sua equipe recorreu, sem sucesso, da decisão oficial, que foi recebida pelo público com vaias no Autódromo de Interlagos.

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