Divulgação/ Ajinomoto do Brasil
Divulgação/ Ajinomoto do Brasil

Carateca se isola em sítio com atletas do taekwondo e se prepara para o Pré-Olímpico, em Paris

Valéria Kumizaki faz 'intercâmbio' entre modalidades para manter o nível técnico durante a pandemia da covid-19

Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 08h00

A carateca paulista Valéria Kumizaki, vice-campeã mundial em 2016, se isolou em um sítio em São Roque, no interior de São Paulo, para dar prosseguimento à sua preparação visando o Pré-Olímpico Mundial, marcado para Paris, mas adiado, assim como os Jogos de Tóquio. Curiosamente, a atleta, de 35 anos, tem treinado com Miguel e Milena Titoneli e com os técnicos Clayton e Reginaldo dos Santos, ambos do taekwondo, uma outra modalidade. "Estamos aqui isolados em um sítio e estamos respeitando todas as regras sanitárias. No período da manhã, fazemos o treino técnico de taekwondo, à tarde treino físico e à noite trabalhamos mobilidade", explicou Valéria ao Estadão.

A atleta afirmou que sempre gostou do taekwondo, mas que nunca teve tempo de fazer um intercâmbio com a modalidade, como tem feito agora. Segundo ela, o adiamento das competições ajudou para que a união, que já estava em seus planos, acontecesse. "Por falta de tempo na agenda entre as competições, nunca consegui colocar isso em prática. Agora, com os campeonatos ficando só para o ano que vem, deu certo de podermos treinar juntos."

Valéria explicou que a ideia surgiu por causa de um preparador físico em comum, Ariel Longo, que treina tanto a equipe de taekwondo de São Caetano quanto a seleção brasileira de karatê. A princípio, a atleta ficaria duas semanas no sítio, mas gostou tanto dos treinos e da convivência, que ficará mais um mês.

"Como gosto de chutar e estávamos falando sobre a minha preparação física, surgiu essa ideia de integrar a equipe (de taekwondo) e treinar junto com eles", disse a atleta. "No taekwondo, os chutes são fortes para pontuar no colete e no capacete e podem ser pontuados várias sequências de chutes ao mesmo tempo. No Caratê, por sua vez, os chutes são controlados e pontuados um de cada vez. Com essa oportunidade, posso aperfeiçoar e aprender novas técnicas de chute com os melhores técnicos do Brasil".

De acordo com a carateca, o sítio oferece toda a estrutura de treino necessária e não haverá defasagens técnicas ou físicas para as competições futuras. "Aqui nós temos toda a estrutura, tanto para o treino técnico quanto para o treinamento físico. E com os melhores profissionais. Acredito que as coisas vão melhorar e poderemos retomar a nossa rotina normal de trabalhos. Estaremos preparados para o ano que vem, para os Jogos de Tóquio", disse.

Pela primeira vez na história, o caratê será disputado em uma olimpíada e este é o foco de Valéria: uma vaga nos Jogos Olímpicos. "No momento, todo foco está em minha preparação e meu próximo passo é a classificação olímpica. Dou o máximo em cada treino e não descuido da minha alimentação. Todos os dias, faço suplementação de aminoácidos, isso ajuda na minha recuperação muscular para manter o alto nível constante nos treinamentos. Receber o apoio do Projeto Vitória é importante para encarar os desafios dessa preparação", afirmou a atleta.

Desde os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, quando conquistou a medalha de prata em sua categoria, Valéria não desceu mais dos pódios. Ela foi medalhista nas últimas três edições do torneio. Bronze, em 2011, em Guadalajara; ouro, em 2015, em Toronto; e ouro, em 2019, em Lima. O Caratê é uma das modalidades novas nos Jogos do Japão, em 2021.

Tudo o que sabemos sobre:
Olimpíada 2020 Tóquiocaratê

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.