Marcio Fernandes/Estadão - 22|10|2014
Marcio Fernandes/Estadão - 22|10|2014

AO VIVO

Confira tudo sobre a Copa do Mundo da Rússia 24 horas por dia

Carlos Burle conta detalhes de susto com onda gigante que virou barco

Em Mavericks, surfista passa por sufoco em dia épico no litoral da Califórnia

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2018 | 17h52

A ondulação gigante em Mavericks, no litoral da Califórnia, na última semana, destruiu o barco do surfista brasileiro Carlos Burle e deixou os atletas que estavam no mar em situação delicada por alguns minutos. Apesar das imagens impressionantes da embarcação virando como se fosse de brinquedo, no final ninguém ficou ferido e o veterano contou detalhes deste dia de enormes ondas e muita adrenalina.

+++ Barco de surfista brasileiro fica destruído após ser atingido por onda gigante

"A gente pegou um comandante, um capitão muito experiente, que já tinha feito umas viagens lá para fora, para o pico, com a gente e em outros projetos. Fomos no barco dele. Além de mim, estava o Lucas Chianca, o Chumbo, o Ben Andrews, que ganhou a maior onda na remada na temporada passada, e o nosso cinegrafista Paulo Henrique, além do capitão", conta Burle ao Estado.

 

O grupo foi para a Califórnia, nos Estados Unidos, por causa da ondulação muito rara em Mavericks. O surfista explica que não tinha visto condições parecidas com esta desde 2001, quando pegou uma onda gigante e bateu o recorde mundial. Os próprios atletas locais comentaram que aquelas eram condições muito difíceis de acontecer.

 

"Nós pulamos na água, eu, o Lucas e o Ben, e ficaram os dois no barco, pequeno, de 19 pés, super confortável, com um motor grande de 150 hps além de outro reserva. O cara é muito experiente, olhamos um para o outro e falamos que o mar estava muito grande, então tínhamos de ficar sempre em alerta e fazer tudo com segurança", diz Burle.

 

Logo de cara Lucas Chumbo pegou logo uma onda enorme. Tão grande que já é cotada para ser uma das maiores de todos os tempos na remada ou pelo menos a maior da temporada. Depois de uma hora no mar, o barco com o capitão e o cinegrafista foi atingido por uma onda enorme e virou.

 

"Quando olhei, o Lucas falou que o barco tinha capotado. Então fomos para o canal para ajudar porque não sabíamos se poderia ter alguém debaixo do barco. Chegamos lá e já tinham resgatado o pessoal, mas nós ficamos naquela posição onde tem o impacto das ondas. Veio uma série enorme, que varreu eu e o Ben. Depois de três ondas gigantes na cabeça, eu levantei e estava nas pedras", revela.

"O barco capotado bem perto de mim e eu pensando: 'estou com 50 anos, que estou fazendo?'. É a reflexão que você faz da sua vida. É lógico que estava tranquilo porque não tinha mais nada a fazer, aparentemente o capitão e o cinegrafista estavam bem, então mantive a calma e consegui resgatar alguma coisa nossa que ainda estivesse no barco", continuar.

Burle e Andrews ficaram do lado do barco, depois das pedras, já dentro da baía, mas com muita correnteza e alguns jet skis tentando ajudar. O susto foi muito grande. "No final das contas, as perdas foram apenas materiais. Fisicamente ficou o trauma. No outro dia, tiramos o barco das pedras", afirma.

Surfistas de ondas grandes estão acostumados a passar por dificuldades. Burle participou do resgaste de Maya Gabeira em Portugal, quando salvou a vida da amiga, e agora passou por um sufoco também. Mas prefere olhar para o lado bom desse trabalho que consiste em assumir riscos.

"Foi um dia memorável, incrível, pois vivi momentos que fico feliz de poder participar porque foi um fenômeno muito raro. E ver a performance do Lucas nessas condições, com apenas 22 anos de idade, foi bem bacana. Sabemos que estamos no mar, que é uma arena que a gente não tem controle, mas nos preparamos para isso", conclui.

 

 

Mais conteúdo sobre:
Maya Gabeira Surfe

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.