Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Carlos Burle relembra acidente com Maya Gabeira

Após um ano, surfista retorna a Nazaré, onde ajudou a salvar a vida da amiga, atingida por uma onda gigante na ocasião

Paulo Favero - Enviado especial a Nazaré, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 07h00

Do alto do penhasco, o surfista Carlos Burle olha para o mar com respeito. As ondas que quase tiraram a vida de sua amiga Maya Gabeira há um ano ainda estão lá, só que em tamanho bem menor do que as daquele dia de outubro, quando a parceira de aventuras ficou desacordada após cair da prancha e quase morreu afogada.

"Esse lugar marcou as nossas vidas. Desde que cheguei a Portugal, já voltei para cá umas quatro vezes, rezei muito e liguei para ela. Também conversei com a comunidade, pois sempre fomos muito bem recebidos", conta Burle, já recuperado do susto. "Naquele dia tinha uma corrente muito grande, o que dificultou o resgate."

Maya pegou uma das maiores ondas do dia, mas, depois que caiu, tomou uma série de ondas na cabeça. "Ela não aparecia no meio da espuma, aí vi que o colete e a prancha dela estavam na areia", explica Burle, que teve de saltar do jet ski para salvar a amiga com os próprios braços. "Herói não existe. Você se condiciona para enfrentar situações adversas", diz o surfista, reiterando: "Sempre tenho medo e isso é importante."

Cidade litorânea de tradição na pesca e navegação, e famosa por seu mar bravo, é um ponto turístico histórico, principalmente por causa da Capela da Memória, no Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, construída em 1.182. Só que nos últimos anos o município de 15 mil habitantes ganhou fama com os surfistas que estavam atrás das grandes ondas na Praia do Norte. "A cidade mudou muito por causa disso", comenta Burle.

Um dos fatores que ajudaram foi o projeto do norte-americano Garrett McNamara, que em novembro de 2011 surfou uma onda de 24 metros de altura. Em janeiro de 2013 ele pegou uma onda estimada em 30 metros, mas o recorde não foi reconhecido. "Isso tudo tem dado uma visibilidade muito grande para Nazaré", conta Burle.

Em 28 de outubro do ano passado, após o acidente de Maya, Burle prestou todos os socorros e encaminhou a amiga para o hospital. Depois, voltou para o mar e pegou um onda gigantesca. "Tenho certeza de que foi uma das maiores ondas do mundo, com tamanho entre 32 e 35 metros segundo apontaram pesquisadores", afirma.

Mas ele competiu no XXL, que julga as maiores ondas do mundo, e não foi vitorioso. "Fiquei decepcionado. Mas minha vitória naquele dia foi ver a Maya sair com vida, isso que importou. Só acho que, com essas coisas, a premiação fica sem credibilidade e o Guinness deveria levar isso em conta", diz, ciente de que se fosse homologado seria o novo recorde mundial.

Sempre em busca de uma onda gigante, Burle vibra com o bom momento do surfe brasileiro. Ele foi para Portugal para apoiar Gabriel Medina e garante que estará no Havaí. "Nós, brasileiros, éramos considerados surfistas de ondas pequenas. Mas estamos mudando tudo isso. E agora surge o Gabriel Medina para fechar o ano com chave de ouro e escrever a história do esporte."

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