Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Carnaval acaba e briga pelo poder na CBF recomeça

Ricardo Teixeira prepara retomada das atividades, mas federações voltam a discutir uma possível sucessão

ALMIR LEITE, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2012 | 03h04

SÃO PAULO - Com o fim do carnaval, a luta pelo comando do futebol brasileiro está recomeçando. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, reluta em pedir licença ou afastamento e prepara-se para reassumir a entidade. Enquanto isso, presidentes de federações estaduais que se animaram com a possibilidade de Teixeira sair ainda acreditam que isso possa ocorrer e articulam para uma "tomada de poder''.

Alvo de várias suspeitas de irregularidades, Teixeira se sentiu fortalecido após receber o apoio de presidentes de federações, como a Paulista e a Sergipana, e de governadores de 8 dos 12 Estados que terão jogos da Copa do Mundo de 2014.

Decidiu ficar no comando da CBF - e também do COL, Comitê Organizador Local da Copa -, pelo menos por mais algum tempo. Marcou, até mesmo, uma assembleia para a próxima quarta-feira, dia 29, exatamente a data que as federações haviam combinado de se encontrar.

A iniciativa da CBF pegou de surpresa o presidente da Federação Gaúcha, Francisco Novelletto Neto. "Ele marcou uma assembleia no mesmo dia e horário da nossa. Vamos ver o que vai dizer. A reunião será na sede da CBF. É estranho, nunca ocorreu lá'', disse Novelletto ontem ao Estado.

Pode ser que Teixeira diga palavras duras aos presidentes. Pelo menos para aqueles que, quando começaram a pipocar notícias sobre sua renúncia, passaram a conversar sobre a sucessão - com a intenção principal de não deixar um paulista, José Maria Marin, o vice-presidente mais velho dos cinco que a CBF tem (79 anos), assumir o cargo, como determina o estatuto da entidade.

O dirigente gaúcho não quis se aprofundar sobre a possibilidade de Teixeira vir a se licenciar a curto prazo, ou mesmo renunciar ao cargo. Mas deixou claro que o nome de Marin não agrada a muita gente. "Eu gosto dele, sou amigo, mas há uma rejeição a São Paulo'', admitiu.

Marin não é exatamente o problema. O que causa calafrios é a possibilidade de Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista e padrinho do ex-governador paulista, ganhar poderes na entidade.

O estatuto da CBF que está em vigor diz que, em caso de licença, Ricardo Teixeira tem o poder de indicar entre os cinco vices aquele que ficará em seu lugar e, se houver renúncia (e, portanto, vacância de poder), o vice mais velho (Marin) assume.

Novelletto diz que os presidentes de federações não concordam que Marin deva assumir em caso de renúncia e pregam que é preciso convocar eleições. "Isso valia para o mandato de quatro anos do Ricardo, mas ele fica até 2015 por causa da Copa. Aceitamos prorrogar o mandato que iria até dezembro do ano passado por isso (o Mundial). Mas não vale para colocar o Marin em caso de renúncia'', disse. "Essa condição terminou em dezembro.''

A assembleia do dia 29 vai reunir os presidentes das 27 federações. Se vencer a tese de que uma renúncia de Teixeira obriga à marcação de eleições e se o presidente de fato sair, os 20 mandatários de clubes da Primeira Divisão também terão direito a voto.

Novelletto garante não pensar em ser candidato. "Seria em 2015, quando o Ricardo falou que iria sair. Mas se ele ficar mais 30 anos no comando, terá o meu apoio.''

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