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Carne e feijoada na bagagem

As meninas do vôlei conhecem muito bem a China e sabem os segredos para driblar as diferenças culturais

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

Poucos atletas brasileiros têm oportunidade constante de competir na China, como é o caso da seleção feminina de vôlei. Nas últimas temporadas, as meninas estiveram pelo menos uma vez ao ano no país que abrigará os Jogos Olímpicos para disputar o Grand Prix. E elas já sabem como "sobreviver" em Pequim. Por causa da "diferente" comida chinesa, algumas jogadoras já apelaram para o famoso jeitinho brasileiro: vão levar nas malas carne e feijoada enlatada para não passar fome. "Eu não tenho frescura. Como até bicho estranho, sem nenhum problema. Mas algumas meninas chegam a se sentir mal", declarou a ponta Mari, durante o treinamento da seleção, no Centro de Desenvolvimento de Voleibol, em Saquarema (Região dos Lagos). Para ela, o funcionamento da cozinha internacional na Vila Olímpica não é a solução do problema. O motivo: a comida, embora seja mais familiar, continuará a ser gordurosa, apimentada e cheia de óleo. "Não se vive na China. Sobrevive-se literalmente." A última visita ao país-sede da Olimpíada foi recente. A seleção disputou, ao todo, seis partidas do Grand Prix deste ano, no qual conquistou o sétimo título, na China. "O ser humano se adapta a qualquer situação mesmo", emendou a atacante Paula Pequeno, que também sofre com o idioma. "A língua chinesa é bem estranha e o inglês que eles usam é meio enrolado. Não dá para entender." Ela não parou por aí. "Sinto-me uma analfabeta ao sair às ruas. É um monte de letras confusas nas placas. Fico perdidinha", contou, sem segurar a gargalhada. Na visão do técnico José Roberto Guimarães, o Brasil leva vantagem em relação aos rivais por estar "mais acostumado" aos costumes e ao fuso horário do país. "Estamos familiarizados." Menos com a comida. "Sei que algumas atletas vão carregar na bagagem carne e feijoada enlatada. Elas sempre dão um jeito. Eu não lavarei nada para Pequim", comentou. Passar sufoco não é novidade para a seleção. As meninas sofreram durante a etapa atual do Grand Prix realizada no Vietnã, país localizado no sudoeste asiático e que, desde 1941, possui muitas cicatrizes deixadas pelas guerras. Por um dia, elas dormiram num hotel sem a menor condição de higiene, cuja diária individual custava US$ 10 (aproxiamdamente R$ 16). "Tinha barata e muita sujeira. Além disso, não havia energia elétrica nem água potável. Teve gente que não dormiu", contou Mari, sem nenhum constrangimento. A palavra superação nunca esteve tão em moda na seleção.

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