Carro da Ferrari parou no tempo: do topo para a 5ª força

Dona de oito títulos entre 1999 e 2008, escuderia italiana agora está atrás de Red Bull, Mercedes, McLaren e Renault

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2011 | 00h00

De uma fonte da Ferrari: "Como estamos, hoje, somos a quarta ou quinta força da Fórmula 1. Mas vai mudar". Em condições normais, velocidade como velocidade, a Ferrari deverá andar atrás no GP da Turquia, hoje, de Red Bull, Mercedes, McLaren e talvez Renault. A equipe mais famosa da competição, que tem um brasileiro como piloto, Felipe Massa, não é nem a sombra da que dominou a categoria, ao conquistar oito título de construtores dentre os dez disputados entre 1999 e 2008.

"Vamos ter uma nova versão do carro no GP do Canadá", disse o espanhol Fernando Alonso, companheiro de Massa, ontem em Istambul. A prova será a sétima do calendário, no dia 12 de junho. Se hoje a diferença entre Alonso, quinto no campeonato, com 26 pontos, e Sebastian Vettel, da Red Bull, líder, com 68, já é de 42 pontos (Massa tem dois a menos de Alonso), como não deverá ser até a etapa de Montreal? O fato é que está cada vez mais difícil para os italianos pensarem em disputar o título da atual temporada.

"Tivemos problemas com os dados recolhidos nos estudos no túnel de vento. Os dados que apuramos não conferiam, depois, com os obtidos na pista", explica o responsável pelo projeto do 150º Italia, modelo de Alonso e Massa, o grego Nikolas Tombazis. Stefano Domenicali, diretor da escuderia, comentou: "Logo depois da corrida em Xangai terminamos a reestruturação de nosso túnel de vento. As modificações que estamos introduzindo no carro já foram desenvolvidas depois das correções."

Todas as justificativas para explicar a falta de desempenho parecem mesmo proceder. Mas o que não foi dito, e a Fórmula 1 inteira enxerga o fato, é que a dupla de projetistas da Ferrari é por demais conservadora. Tombazis e Aldo Costa são capazes de produzir um bom carro de Fórmula 1, sem problemas crônicos, e relativamente rápido. Mas a Fórmula 1 exige mais. Inovação, por exemplo, com todos os seus riscos, como faz Adrian Newey, na Red Bull.

Depois de Newey resgatar com sucesso o conceito da suspensão traseira tipo pull-rod no ano passado, com o conjunto mola amortecedor localizado sob o câmbio, a fim de explorar melhor a aerodinâmica da parte traseira do carro, a maioria dos projetistas, este ano, adotou também a solução. As exceções são Ferrari, Sauber, que usa o conjunto motor/câmbio e suspensão traseira da Ferrari, e as inexpressivas Virgin e Hispania. Esse dado, por si só, dá bem a ideia do quanto conceitualmente a Ferrari parou no tempo.

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