Carro do futuro

Enquanto aguarda a próxima etapa do campeonato mais interessante dos últimos dez anos da Fórmula 1 daqui a dois domingos em Cingapura, o torcedor de automobilismo tem a chance de ver hoje em Interlagos a estreia brasileira no Mundial de Endurance FIA, com a corrida 6 Horas de São Paulo. Um espetáculo que reúne carros com recursos tecnológicos ilimitados, inclusive os que o regulamento não permite na F-1, e que é a nova aposta da FIA.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 03h07

Nas corridas de longa duração estão em jogo velocidade e resistência, numa competição de marcas, equipes e pilotos. Os carros, com motor de 600 cavalos, conseguem ser mais rápidos que os da F-1 por terem as rodas cobertas, o que dá um ganho aerodinâmico. Mesmo sendo 250 quilos mais pesados, perdem muito pouco nas freadas, e no tempo total da volta em Interlagos os Audi R-18 e os Toyota TS-030, as estrelas da categoria, viraram 10 segundos mais lentos que a pole da F-1.

Como as corridas duram seis horas, cada carro conta com dois ou três pilotos, e a troca de piloto dura aproximadamente 20 segundos. É curioso ver a diferença de velocidade com que os carros mais velozes ultrapassam os das categorias mais lentas (a diferença chega a 40 km/h). A FIA recomenda que o piloto de carros mais lentos faça a sua corrida normal, sem a preocupação de facilitar a ultrapassagem. Quem vem atrás é que tem de saber buscar o espaço. O máximo que pode fazer é piscar os faróis para avisar o carro da frente.

Para a FIA, este campeonato representa uma retomada do velho Mundial de Marcas, que deixou de ser disputado há 20 anos. E o grande laboratório para ela conseguir mudar o conceito do automóvel, tido como o grande vilão do meio ambiente. No WEC já se usa o diesel, que é um combustível menos poluente e está sendo dado o primeiro passo para o carro movido a eletricidade. Os dois modelos mais velozes da Audi e Toyota já são híbridos, graças à utilização de um sistema de recuperação de energia cinética, semelhante ao kers da F-1. A FIA vê este campeonato como o embrião do automóvel do futuro.

O antigo Mundial de Marcas teve um brasileiro campeão, Raul Boesel, em 1987. E hoje a gente vê um outro brasileiro, Lucas di Grassi, estrear na categoria como o mais veloz entre os pilotos da Audi, mesmo sem conhecer o carro tão bem quanto os outros cinco pilotos. Sabendo que as chances de voltar à F-1 são mínimas, Lucas quer construir uma nova etapa em sua carreira, incluindo o sonho de ser o primeiro brasileiro a vencer uma 24 Horas de Le Mans.

Sid Watkins. Emocionante a forma como o amigo e ex-piloto Alex Dias Ribeiro, que pilotou o carro médico ao lado do doutor Sid Watkins em 48 GP, define o "neurocirurgião que encontrou o significado de sua existência quebrando paradigmas de padrões de segurança e entrou para a história salvando vidas não só de pilotos mas de milhares de cidadãos em todo o mundo por meio de dispositivos de segurança desenvolvidos nas pistas e incorporados aos carros de rua". Esse é um trecho do que escreve o Alex, a quem pedi permissão para reproduzir o texto na íntegra em meu blog Sinal Verde do globoesporte.com.

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