Cartões, o inimigo comum

Peças fundamentais de Corinthians e Santos correm o risco de ficar fora da foto do título

Fábio Hecico e Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

Fábio Costa; Fabão, Chicão e Fabiano Eller; Pará, Madson, Lúcio Flávio, Molina e Jorge Henrique; Ronaldo e Roni. Uma escalação que poderia, facilmente, ser utilizada por qualquer equipe. Com Lulinha, Róbson e Bolaños como opções para entrar durante a partida. Os jogadores citados acima, porém, são os pendurados de Corinthians e Santos na decisão do Campeonato Paulista. Entrarão no duelo da Vila Belmiro correndo risco de não participar da foto oficial do título.Para deixá-los ainda mais preocupados, o árbitro do clássico, Wilson Luiz Seneme, é daqueles que não poupam uma advertência. Rigoroso, não olha nome ou cor da camisa. Basta ver seus números nas duas partidas apitadas por ele nas semifinais do Estadual. No Santos e Palmeiras da Vila Belmiro, deu 11 cartões amarelos. Distribuiu mais oito no duelo São Paulo x Corinthians, no Morumbi. Dentinho foi uma das vítimas e cumpre suspensão amanhã. Ainda deu um vermelho para o zagueiro são-paulino Rodrigo.A dor de cabeça maior no primeiro confronto da decisão, teoricamente, é do treinador santista Vágner Mancini. São 10 jogadores pendurados, cinco titulares, diante de quatro do Corinthians, um deles reserva. "Não há como pedir ao atleta para ter mais cuidado na disputa da bola, principalmente quando está em jogo um título, meses de trabalho", diz Mancini. O treinador também considera arriscado usar a artimanha de provocar um adversário para que ele se irrite e receba o amarelo. "Malandragem existe, no futebol mais ainda, mas depende muito da percepção de cada atleta numa situação em que requer cuidado e concentração."Dos cinco titulares pendurados, todos têm a sua importância para o segundo jogo da decisão. Até Pará, que não figura como destaque da equipe. Ele é opção para várias posições, inclusive as laterais, ponto fraco do conjunto santista. Com a ausência de Rodrigo Souto (lesionado) e Roberto Brum (suspenso), ele atuará no meio ao lado de outro reserva, Germano.É o 12.º titular de Mancini.Tanto que, quando fica no banco durante o primeiro tempo, entra na etapa final. Mas é Fábio Costa quem representaria perda irreparável, pelo bom momento que atravessa e a energia que, como capitão, passa aos companheiros. Ao mesmo tempo, é um dos que mais correm risco. Para evitar o gol, o número 1 não dosa a força com que salta nos pés do adversário nem mede as consequências de dar um carrinho.Do lado corintiano, a principal preocupação é com o atacante Ronaldo. O Fenômeno levou seus dois amarelos justamente em clássicos e seria um perda muito grande para um time cujo reserva, Souza, só fez um gol no ano. "Não podemos ficar julgando as arbitragens, eles erram e acertam. O que não podemos é cair em provocações ou tomar amarelo bobo", enfatiza Mano Menezes.Chicão e Jorge Henrique, os outros titulares pendurados no Alvinegro, não escondem a preocupação. "É muito ruim ficar fora da partida decisiva. Mas sou um jogador que procuro antecipar as jogadas, sem violência", garante o zagueiro, pendurado há várias rodadas. Os dois amarelos que carrega foram os únicos em 23 jogos no ano."O Mano já conversou comigo (para não receber o 3º amarelo). Estou tranquilo", diz Jorge Henrique. "Mas, se tiver de fazer uma falta para evitar que o time sofra um gol, vou fazer. Nada de tirar o pé."

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