Casa corintiana, torcida alviverde

Palmeiras define que clássico da semi será no Pacaembu, domingo, mas destina apenas 5% dos ingressos ao rival

Daniel Akstein Batista e Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

O Corinthians jogará longe de sua torcida, mas no seu palco predileto na semifinal do Campeonato Paulista. O Palmeiras, mandante da partida, resolveu atuar no Pacaembu, domingo, às 16 horas, e terá a massa alviverde ao seu lado: apenas 5% dos ingressos serão destinados aos corintianos. Ainda ontem, na sede da Federação Paulista de Futebol, ficou definido que São Paulo e Santos se enfrentam no sábado, às 16 horas, no Morumbi, com a mesma divisão de bilhetes.

Sem o Palestra Itália, em obras, o Palmeiras já havia definido que atuaria no Pacaembu nos jogos decisivos do Estadual e da Copa do Brasil. Mas, mesmo antes da vitória sobre o Mirassol, por 2 a 1, anteontem, diretores do clube cogitaram mudar o local da partida. Afinal, enfrentar o Corinthians no Pacaembu seria como atuar na casa do rival.

Luiz Felipe Scolari era um dos que preferiam um outro estádio para a semifinal. O Palmeiras cogitou o Morumbi e até mandar seu jogo em alguma cidade do interior, como Presidente Prudente, mas no fim a diretoria escolheu mesmo o Pacaembu. Com uma condição: o Corinthians só deveria ter direito a 5% dos ingressos.

Os corintianos não reclamaram, pois também não queriam atuar no Morumbi. Em 2010, os presidentes Luiz Gonzaga Belluzzo e Andrés Sanchez fizeram um "acordo de cavalheiros" e combinaram que o clássico Palmeiras x Corinthians não seria mais disputado no estádio tricolor e sim no Pacaembu - com a torcida visitante ocupando também o tobogã. Agora, a situação mudou.

"Eu não sei o acordo que eles tinham", disse Roberto Frizzo, vice-presidente palmeirense - a atual diretoria, presidida por Arnaldo Tirone, assumiu o comando do clube em janeiro deste ano. "O Palmeiras tinha o mando de campo e não vejo problema em atuar no Pacaembu."

O discurso é totalmente político. Nenhum jogador do time queria disputar o clássico no estádio municipal. "É claro que é a casa do Corinthians, porque eles mandam mais jogos lá", disse ontem Valdivia ao SporTV. "Nós temos de jogar e esquecer onde é a partida", falou.

De acordo. No Parque São Jorge, os dirigentes não esconderam a satisfação com a decisão do palco para a semifinal. Até mesmo o fato de ter apenas 5% da carga de entradas não provocou desconforto. "Pedimos ao Palmeiras e ao Ministério Público para ficarmos com o tobogã, mas não deu. Vamos com menos torcida, mas fortes assim mesmo. O Corinthians ficou satisfeito com a decisão", disse o diretor adjunto de futebol, Duílio Monteiro Alves.

O assunto chegou a irritar Felipão no domingo. Ele já havia passado sua preferência para a diretoria e só se acalmou ontem ao saber que terá o apoio de 35.150 palmeirenses - os corintianos terão 2.400 ingressos ao seu dispor. Vale lembrar que a única vantagem de quem terminou a primeira fase é esta: ser o mandante nas fases finais. Assim, se o São Paulo passar pelo Santos, terá o privilégio de mandar o segundo jogo da final no Morumbi.

Antes de 2010, Palmeiras e Corinthians ficaram um bom tempo sem se enfrentar no Pacaembu. A última vitória alviverde no estádio foi em 1995, por 2 a 0. Depois, foram quatro triunfos corintianos e um empate.

O CLÁSSICO

35.150

ingressos vão ser colocados à venda para a torcida do Palmeiras. Os corintianos terão direito a apenas 2.400 bilhetes. O jogo será domingo, às 16 horas

1995

foi o ano da última vitória do Palmeiras sobre o rival no Pacaembu. Depois, foram disputadas cinco partidas, com quatro triunfos do Corinthians e um empate

"Caipiras".

O Torneio do Interior tem início sexta-feira, com Oeste e Mirassol, às 21 horas, em Itápolis. No sábado, a Ponte Preta recebe o São Caetano às 18h30, também em jogo único.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.