Ruslan Pryanikov/ AFP
Ruslan Pryanikov/ AFP

Casaquistão ganha força no futsal mundial com sotaque brasileiro

Seleção conta com vários jogadores do País que foram naturalizados; técnico da equipe é Paulo Ricardo, mais conhecido como Kaká

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 20h00

O Casaquistão vem, gradualmente, se tornando uma potência no futsal. Graças aos investimentos privados e à chegada de jogadores e treinadores importados do Brasil, a modalidade passou por um grande desenvolvimento no país.

O curioso é que a seleção cazaque, em seu primeiro Mundial, na Guatemala em 2000, estreou com um massacre de 12 a 1 contra o então campeão, o Brasil, e terminou o torneio sem vitórias. Aquela atuação é explicada por um importante componente político.

O ex-jogador Ermek Tursunov lembra a interferência externa no grupo, especialmente do presidente da Federação de Futebol, Rakhat Aliev, então genro do chefe de Estado, Nursultan Nazarbaiev. “Mudaram de comissão técnica, nos obrigaram a contar com alguns jogadores e deixar outros em casa. Fomos a um Mundial com um time que mal havia jogado junto", conta o ex-jogador de 59 anos, que agora trabalha como cineasta.

O reinado de Aliev na federação terminou quando uma briga com seu sogro o levou ao exílio. Acusado de crimes pelas autoridades cazaques, se suicidou em 2015 na prisão austríaca onde aguardava a sua extradição.

E acabou sendo o Brasil, o país que havia humilhado o Casaquistão na Guatemala, que permitiu que o país evoluísse no futsal. O atual treinador da seleção é Paulo Ricardo, mais conhecido como Kaká, brasileiro, assim como seu antecessor, Cacau. A seleção também conta com vários jogadores brasileiros naturalizados, incluindo dois astros: Léo Higuita, conhecido por seu jogo com o pé e eleito três vezes goleiro do ano no Futsal Planet Awards, e o atacante Douglas Junior.

Ambos são duas referências no país e chegaram ao Casaquistão graças a Kairat Orazbekov, um rico empresário que fundou o clube AFC Kairat em Almaty, enviando regularmente olheiros à América do Sul para encontrar astros que pudessem reforçar seu projeto.

"Cuidamos dos nossos talentos brasileiros aqui em Almaty. No Brasil ninguém os conhecia e agora todos os conhecem", provoca. Os brasileiros contribuíram para impulsionar o crescimento dos jogadores locais.

Melhor clube do país, o Kairat Almaty conquistou duas vezes a Liga dos Campeões e ganhou a Copa Intercontinental em 2014. Como resultado da evolução, o AFC Kairat se tornou um pesadelo para o Barcelona, derrotado em várias ocasiões pelos cazaques. A última vez foi em 2019, nas semifinais da Liga dos Campeões, na Arena Almaty, diante de 12 mil espectadores.

Agora, o futuro parece promissor para o futsal no Casaquistão, já que a maioria das escolas do país tem uma quadra para a prática do esporte. "É uma das nações de referência e está em sétimo lugar no mundo. No futuro poderá ser campeã europeia ou mundial", avalia Pierre Jacky, técnico da seleção francesa de futsal. / COM AFP

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