Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Casemiro luta pelo espaço perdido no São Paulo

Falta de empenho do volante irrita a comissão técnica e explica sua ausência até do banco

Fernando Faro, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h08

SÃO PAULO - Quando Casemiro apareceu para o futebol em 2010 era apontado como um dos maiores talentos da nova geração. Volante de habilidade rara e ótima visão de jogo, começou a ganhar espaço no São Paulo e virou um dos pilares da equipe que passava por um processo de renovação após a geração vencedora que durou até o hexacampeonato brasileiro em 2008.

Mas o jogador que chegou à seleção e viu o clube recusar uma proposta de 10 milhões (R$ 26 milhões) agora vive um momento ruim e luta para recuperar espaço no elenco.

Ele tem deixado a comissão técnica insatisfeita com seu rendimento, considerado por Ney Franco e seus auxiliares como muito abaixo do ideal. O treinador teve uma nova conversa com o garoto semana passada para pedir mais comprometimento e dizer que se não houver uma mudança de postura dificilmente vai recuperar espaço na equipe.

"Ele não está jogando por culpa dele, porque não encarou de frente a briga por posição. É um quadro reversível, claro, afinal ele tem só 20 anos e um potencial enorme", afirmou.

Ney era um dos seus maiores entusiastas e sempre pensou a equipe com ele, mas perdeu a paciência com sua displicência nos treinamentos. O técnico já recebeu reclamações dos auxiliares e também dos preparadores físicos sobre a falta de dedicação de Casemiro.

As poucas oportunidades fizeram o volante expressar sua insatisfação com outros companheiros, mas as queixas chegaram aos ouvidos da comissão técnica - que tem sofrido pressão dentro do clube para utilizá-lo mais por se tratar de um atleta de "grande valor de mercado". "Quero recuperá-lo aqui. É um menino muito bom", disse o treinador.

Paralelamente à falta de sequência, o jogador enfrenta resistência de parte da torcida por causa da sua imagem. Não são poucos os que o chamam de "marrento", e a sua assessoria planeja um trabalho para mudar isso. Adepto dos óculos grandes e roupas chamativas, fora do campo é uma pessoa tranquila, apegado à família e aos amigos e de valores sólidos.

Dois exemplos: à época em que era empresariado por Giuliano Bertolucci (que tirou Oscar do São Paulo por meio da Justiça), recusou R$ 1 milhão para abandonar o clube e jogar na Europa. Recentemente, acertou contrato para ser garoto-propaganda de um jogo online e, mesmo tendo recebido a proposta por meio do Tricolor, pagou a comissão para a empresa que administra sua carreira por conta própria. "O que é certo, é certo", disse para seu assessor, que não queria a bonificação.

TRISTE 

Casemiro admite que 2012 tem sido um ano difícil. Disputou 49 das 74 partidas da equipe e marcou três gols, e ultimamente não tem ficado nem no banco em alguns jogos. Apesar do momento ruim, evita reclamar de Ney Franco. Nos jogos que tive com ele tentei ajudar o time o máximo possível. É óbvio que eu respeito a opinião e decisão dele em me escalar ou não. Quando chegou me pôs no time e não perguntei o motivo, então não sei se é certo perguntar a razão de estar fora agora."

Mas bastou analisar a situação para Casemiro se trair e mostrar que a cabeça não está tão tranquila assim e que talvez Ney Franco esteja certo ao analisar seus altos e baixos.

"Basta olhar para mim para saber que fico triste. Se eu estiver feliz no banco ou sendo cortado de um jogo estou errado. Jogador tem de querer jogar sempre." Fã do garoto e esperançoso, Ney Franco dá o caminho das pedras para o renascimento. "Ele precisa encarar isso de frente, não tem outra solução." A bola está com Casemiro.

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