Caso do gás no Palestra: mistério continua

Na Justiça Desportiva, Palmeiras foi punido; mas Polícia Civil continua as investigações

Amanda Romanelli e Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2008 | 00h00

O jogo de 20 de abril no Palestra Itália valia vaga na final do Estadual. Ao São Paulo, bastava um empate. No fim do primeiro tempo, o placar apontava 1 a 0 para o Palmeiras - e momentânea classificação alviverde. Iniciado o intervalo, os jogadores foram para seus vestiários. Então, começou uma das maiores confusões entre os dois clubes nos últimos anos. Minutos depois de o árbitro encerrar o primeiro tempo, o elenco são-paulino voltava ao gramado. Alguns jogadores tossindo, outros com a mão na cabeça, o técnico Muricy Ramalho cuspindo no chão. Um misterioso gás foi jogado no vestiário em que o grupo tricolor se encontrava. Dois meses e meio depois do incidente, pouca coisa foi resolvida.Ainda durante o segundo tempo, o São Paulo acusou o adversário de ter jogado o gás no vestiário para prejudicá-lo. O Palmeiras - que venceu por 2 a 0 - se defendeu e contra-atacou. Logo após a partida, o técnico Vanderlei Luxemburgo disse que uma hipótese não poderia ser descartada: a de que o gás teria partido de dentro do vestiário. Os clubes, novamente, entraram em rota de colisão.Palmeiras e São Paulo registraram Boletim de Ocorrência. A Polícia Civil entrou em ação, especialistas do Instituto de Criminalística foram ao local, integrantes do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) vistoriaram o Palestra.Em relatórios parciais, a Polícia Civil apontou que o gás dificilmente teria sido lançado do lado externo do vestiário. ''Para que isso ocorresse, o agressor deveria ter grande quantidade de gás para poder dar toxicidade aos 1.000 metros cúbicos do vestiário'', diz o laudo. ''Não haveria tempo suficiente para o espargimento dessa grande quantidade de gás, pois entre a saída do staff do São Paulo e a entrada dos jogadores no vestiário se passaram apenas alguns minutos.''O relatório de 13 de maio ainda coloca em xeque o comportamento do técnico são-paulino, que aparece quase vomitando após sair do vestiário. ''Observa-se que o sr. Muricy Ramalho, que teria alegado intoxicação, aparece calmamente subindo as escadas que dão acesso ao gramado, não aparentando ter sido atingido por nenhum produto químico.''Apesar dos laudos iniciais, o TJD julgou o caso e puniu o Palmeiras pelo artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva com multa de R$ 10 mil e a perda de dois mandos de campo no Estadual de 2009. O clube entrou com uma liminar pedindo a revisão do caso, que deve ocorrer amanhã.A Polícia Civil segue investigando o incidente e o inquérito encontra-se agora na Justiça - vai voltar à delegacia em agosto. Perícia complementar está ainda sendo realizada.

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