Caso Vanderlei: veredicto sai até julho

Depois de mais de cinco horas ouvindo advogados, atletas, peritos e testemunhas, os juízes da Corte Arbitral do Esporte (CAS) prometeram nesta sexta-feira, em Lausanne, na Suíça, definir o caso do maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima até meados de julho. O atleta, com apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), reivindica a medalha de ouro olímpica, por ter sido atacado durante a sua prova nos Jogos de Atenas, no ano passado.Vanderlei liderava a maratona dos Jogos de Atenas quando foi atacado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan. Com isso, acabou na terceira colocação, com a medalha de bronze. A reivindicação brasileira é que ele ganhe o ouro, sem prejuízo ao italiano Stefano Baldini, que venceu a prova.A primeira medida do COB e de Vanderlei, logo depois da Olimpíada, foi reivindicar a mudança de medalha na Federação Internacional de Atletismo (Iaaf), que recusou o pedido brasileiro. Com isso, levaram o caso ao tribunal máximo do esporte.De um lado, o atleta brasileiro se declarou "traído" pela Iaaf por sequer ter considerado seu pedido anterior para rever o resultado da prova. ?Acredito que eles (Iaaf) precisam ser mais humildes e reconhecer o erro. O que está em jogo não é apenas uma medalha, mas o espírito dos Jogos Olímpicos", afirmou Vanderlei.Do outro lado, a Iaaf, preocupada em não deixar que se abra um precedente, acusava o COB de estar praticando "puras especulações" ao argumentar aos juízes internacionais que Vanderlei poderia ter vencido a prova se não tivesse ocorrido o incidente.Diante da complexidade do caso, os três árbitros internacionais escolhidos para julgar o recurso brasileiro pediram de quatro a seis semanas para se pronunciarem sobre o resultado. "Esse é um caso único", admitiu um dos juízes, que pediu para não ser identificado.O tempo solicitado pelos árbitros é maior que a média das outras decisões tomadas pelo CAS, que levam no máximo duas semanas para serem anunciadas.Estratégias - A defesa do COB no CAS, que contou com peritos, advogados, técnicos, maratonistas e testemunhas, se baseou na tentativa de mostrar que, sem a agressão, Vanderlei teria chances de vencer a prova. Foram demonstrados, inclusive com a projeção de um vídeo com as cenas do ataque, os prejuízos físicos e morais sobre o atleta.O COB ainda pagou a viagem do grego Polyvios Kossivas até a Suíça. Foi ele quem livrou Vanderlei do ataque. E, nesta sexta-feira, deu seu testemunho aos juízes, o que pode pesar na decisão final. "Foi algo muito violento. O padre irlandês ficou agarrado ao corredor e foi difícil separá-los", contou Polyvios Kossivas. "Seria uma das maiores injustiças na história do atletismo se essa medalha não fosse dada ao brasileiro", completou o cidadão grego, depois de passar cerca de 20 minutos na sessão do tribunal.A estratégia da Iaaf, que estava representada apenas três advogados e nem sequer uma autoridade da entidade, foi dizer que o COB se limitava a fazer especulações sobre o resultado. Para eles, o brasileiro poderia se machucar, escorregar ou ter câimbras antes do final da maratona."Não posso dar certeza se ganharia, mas em nenhum momento coloquei em dúvida o que eu estava fazendo", afirmou Vanderlei, lembrando que parte de sua energia que seria usada na fase final do percurso acabou perdida com o susto do ataque. Sem parar - Enquanto ainda luta pelo ouro olímpico, Vanderlei continua sua rotina de treinamentos. Nesta sexta-feira mesmo, ele acordou às seis horas e correu 16 quilômetros antes da audiência que poderia mudar sua vida. Logo depois das reuniões no tribunal, trocou seu terno por uniforme e voltou a correr mais 16 quilômetros. "Tenho de treinar, se não os resultados não virão", afirmou Vanderlei, que admite que temeu por sua vida na maratona de Atenas e que ainda carrega um pouco do trauma. Seu objetivo para este ano é estar entre os dez primeiros colocados no Mundial de Atletismo, em agosto, na Finlândia. Para isso, passará a treinar na Colômbia em uma altitude de 2,5 mil metros.

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