Casos de violência doméstica arranham a imagem da NFL

Liga foi acusada de acobertar suas estrelas e teve que mudar sua política de conduta para acalmar público e anunciantes

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2015 | 17h00

A NFL, principal liga de esporte profissional dos Estados Unidos, teve sua imagem arranhada durante a temporada 2014/2015 por conta dos inúmeros escândalos de violência doméstica e pela falta de habilidade do comissário Roger Goodell em lidar com esses casos.

A avalanche de críticas começou em setembro, quando o site de fofocas Norte Americano TMZ divulgou um vídeo do running back Ray Rice dando um soco em sua noiva e a deixando desacordada no elevador de um cassino, em Atlanta.

O fato aconteceu em fevereiro, a NFL tomou conhecimento e puniu o atleta com dois jogos de suspensão na temporada regular. O problema é que as fortes imagens fizeram o público e os patrocinadores da liga questionarem se a punição não teria sido muita branda e se os dirigentes não estariam acobertando uma de suas grandes estrelas.

'Os Ravens encerraram o contrato do running back Ray Rice nesta tarde'. Foi com este breve comunicado, sem muitas explicações, que a franquia de Baltimore rescindiu com Rice, jogador que ajudou na conquista do Super Bowl em 2013. Os torcedores puderam trocar as camisas de número 27 do jogador nas lojas e a NFL o suspendeu por tempo indeterminado.

Apesar das medidas, os danos já estavam feitos. "Nós não estamos satisfeitos com a forma como a liga tem lidado com esse tipo de comportamento que vai claramente contra a cultura da nossa companhia e nosso código moral", divulgou em nota a Anheuser-Busch, dona da Ambev. Outros patrocinadores tomaram a mesma atitude para que os problemas da liga não respingassem sobre suas marcas.

No mesmo período, Adrian Peterson, eleito melhor jogador da NFL em 2012, foi indiciado pela polícia do Texas por agredir o filho de quatro anos com um galho de árvore. O jogador do Minnesota Vikings foi suspenso durante todo o ano e aumentou ainda mais a cobrança para que a NFL tomasse atitudes mais rígidas. Até mesmo o presidente Barack Obama opinou. "A maneira como eles lidaram com tudo indica que a NFL estava atrasada, como uma grande quantidade de instituições. Você não quer improvisações quando algo assim acontece, você quer ter políticas claras", disse à ESPN norte-americana.

A forte pressão fez a NFL mudar sua política de punições e novas regras foram anunciadas em dezembro. Qualquer atleta ou dirigente condenado por violência doméstica ou abuso sexual agora perderá seis jogos da temporada da NFL e uma reincidência resultará em banimento da liga.

Além de estarem submetidos à Justiça dos EUA, casos como violência contra outra pessoa, crimes sexuais, perseguição, assédio, posse ilegal de armas e roubo também serão investigados pela NFL de forma independente, para ajudar na aplicação de multas e suspensões.

"Com a ajuda considerável de muitas pessoas e organizações que consultamos, a NFL endossou uma política reforçada que é significativamente mais robusta, completa e formal", afirmou Roger Goodell.

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