Mark Schiefelbein/AP
Mark Schiefelbein/AP

Caster Semenya acusa a IAAF de ter sido usada como 'rato de laboratório'

Bicampeã olímpica dos 800 metros afirma que participou de tratamento hormonal destinado a reduzir os níveis de testosterona

Redação, Estadão Conteúdo

18 de junho de 2019 | 12h42

A sul-africana Caster Semenya acusou nesta terça-feira a IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo, na sigla em inglês) de a ter usada como um "rato de laboratório". Em um comunicado oficial divulgado por seus representantes, a bicampeã olímpica dos 800 metros acusa a entidade de a ter utilizado em um tratamento hormonal destinado a reduzir os níveis de testosterona em atletas hiperandrogênicas.

"No passado, a IAAF me usou como um rato de laboratório para observar como o tratamento que eles queriam que eu fizesse diminuía o meu nível de testosterona", denunciou a atleta da África do Sul, que ganhou as medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 e do Rio-2016.

Semenya afirmou, em seu comunicado oficial, que apesar de "o tratamento hormonal ter feito se sentir constantemente doente, a IAAF quer agora impô-lo a um nível mais elevado, sem conhecer os efeitos colaterais".

A sul-africana, que está em litígio com a IAAF, deixou uma garantia em toda essa situação: "Não vou permitir que a IAAF use a mim e ao meu corpo novamente", completou.

No início de junho, o Tribunal Federal da Suíça, a Suprema Corte suíça, suspendeu temporariamente as novas regras da IAAF, que obrigam que atletas hiperandrogênicas tomem medicação para reduzir os níveis de testosterona, sob pena de ficarem impedidas de participar de competições entre 400 e 1.500 metros.

Em sua decisão anunciada no último dia 1.º de maio, a Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) decidiu que é necessário criar um grupo de trabalho composto pelo diretor médico do COI, o britânico Richard Budgett, um representante da IAAF e especialistas do mundo da ciência e da ética e representantes dos atletas e das federações internacionais.

Para provas de meia distância, ficou estabelecido um limite de 5 nanomols de testosterona por litro de sangue. Mas Semenya, por uma condição endócrina chamada hiperandrogenismo, produz naturalmente o hormônio em excesso. Ela deverá tomar medicamentos para reduzir os seus níveis de testosterona se quiser competir entre as mulheres.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

  • Raí valoriza montagem do elenco do São Paulo para o Brasileirão
  • Em crise, Figueirense se movimenta para evitar novo W.O.
  • Corinthians, Palmeiras e São Paulo tem as melhores defesas do Campeonato Brasileiro
  • Podcast: personalidades do esporte analisam a situação do futebol no Brasil
  • Bruno Henrique vibra com gols no Maracanã: 'Semana mais feliz da minha vida'

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.