Guillaume Horcajuelo/EFE
Guillaume Horcajuelo/EFE

Catar acredita que pode vencer campeã mundial Espanha no handebol

Nove de 16 atletas são naturalizados; estratégia é polêmica, mas é permitida no regulamento da Federação Internacional de Handebol

Vítor Marques - Enviado especial a Doha, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2015 | 07h18

Na noite de segunda-feira, Valero Rivera, o técnico espanhol que comanda a seleção masculina de handebol do Catar, conversou calmamente com jornalistas mesmo após a entrevista coletiva oficial. Ele respondeu a todas as perguntas sobre os feitos de sua equipe, a classificação antecipada às oitavas de final no Mundial: três vitórias, em três jogos. Só fugiu de um assunto: os jogadores internacionais do Catar. Nada menos que nove de 16 atletas são naturalizados.

A estratégia é polêmica, mas está ancorada no regulamento da própria Federação Internacional de Handebol (IFH), com aprovação das federações nacionais. Segundo as normas entidade, se um jogador passar por uma quarentena (três anos) sem jogar por sua seleção, ele pode defender outro país. A ideia que o Catar teve de montar um time começou há quatro anos, em 2011, quando o país foi escolhido como sede do Mundial Masculino de 2015.

Em 2013, no Mundial da Espanha, havia apenas dois atletas naturalizados na equipe. O time não foi além da primeira fase. A primeira demostração de que o Catar queria montar um time forte foi na contratação de Valero Rivera, o técnico atual campeão mundial. Rivera está há quase dois anos no Catar. Na época que foi contratado, a imprensa internacional divulgou que ele receberia um salário de 800 mil euros por ano.

Depois da escolha de Rivera, o Catar formou o restante de sua seleção. Do Mundial de 2013 para o de 2015, mais sete jogadores foram naturalizados, como o goleiro bósnio Saric, que atua no Barcelona. A 'contratação' foi anunciada em outubro do ano passado, mas a imprensa bósnia havia publicado, já em 2013, que ele tinha assinado um contrato de dois anos com a federação de handebol do Catar.

"Sentia falta de jogar uma competição como essa porque os grandes jogadores, os grandes goleiros, têm de disputar uma competição como o Mundial. Para mim, é uma honra", disse Saric depois da vitória sobre o Brasil na estreia da competição. O bósnio foi eleito o melhor jogador da partida, sendo crucial no resultado de 28 a 23 para sua seleção.

Todos os atletas naturalizados estariam recendo bons salários para defender o Catar, cujo objetivo, como país sede do Mundial, era apenas passar às oitavas de final. Na segunda-feira, porém, uma vitória sobre a forte seleção da Eslovênia encheu de felicidade o técnico Rivera.

"Você viu algum desses atletas que não tenha jogado com o coração?, respondeu o treinador ao ser questionado sobre o número de estrangeiros em sua seleção. "Esse país merece isso pelo que estão fazendo, como nos tratam. É um país maginífico. Hoje é um dia muito feliz para mim."

'FINAL'

O Catar enfrenta a Espanha nesta quarta-feira e sonha em vencer a campeã do mundo, tendo chance de terminar em primeiro lugar do Grupo A, o mesmo do Brasil. Seria um feito e tanto para a seleção dona da casa. Para o técnico Rivera, será um jogo especial. Ele reencontrará jogadores com quem venceu o Mundial de 2013 e, pela primeira vez, jogará contra seu filho, Valero Rivera Folch, que atua pela seleção espanhola. "Não posso medir paral qual lado estará meu coração", afirmou. "Mas está claro que será uma partida muito difícil para mim.

*O repórter viajou ao Mundial a convite da Federação Internacional de Handebol.

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