Catar agora quer investir no futebol brasileiro

Dirigentes esportivos do país árabe admitem que estão observando clubes

Jamil Chade e Leonardo Maia, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 08h05

RIO - Depois de quebrar um tabu no Barcelona ao mostrar sua marca na camisa mais famosa do futebol mundial e depois de comprar um clube francês, o PSG, e transformá-lo em campeão do país em menos de dois anos, o Catar agora quer investir no futebol brasileiro.

Dirigentes esportivos do país árabe admitiram ao Estado que estão avaliando os balanços financeiros de diversos clubes do País, que são candidatos a serem praticamente comprados pelos árabes. Nada está decidido ainda, mas os investidores consideram o mercado brasileiro de "grande interesse".

"Temos discutido esse assunto, a possibilidade de patrocinar um clube brasileiro, mas não há nada de concreto até o momento", diz Nasser Al Khater, diretor de marketing do Comitê Supremo Catar 2022.

O Brasil se enquadra na estratégia do país árabe de aproveitar a publicidade recebida pelo fato de organizar a Copa daqui a nove anos para catapultar o investimento no futebol pelo mundo e melhorar a imagem que o planeta tem do Catar.

Os motivos: o futebol é ainda um mercado em expansão no Brasil, os clubes estão endividados e, ao mesmo tempo, seu potencial de marketing não é devidamente explorado.

A ideia é fechar um acordo com um clube grande, da Primeira Divisão, que esteja precisando de recursos. O passo seguinte seria transformá-lo em uma referência nacional para, depois, ganhar o mundo, sempre com o nome do Catar na camisa.

Os números mostram que a ambição dos catarianos cai como uma luva na ânsia dos clubes brasileiro por mais dinheiro. O Barcelona recebeu US$ 140 milhões (R$ 415 milhões) para estampar o nome do país no peito.

Na França, o PSG foi resgatado também pelo Catar, em uma operação que envolveu até mesmo o emir do país árabe e o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. Em um ano, o clube gastou 217 milhões (R$ 643 milhões) para contratar 15 jogadores.

Na Espanha, o príncipe Abdallah Bin Nasser al-Thani comprou o modesto Málaga por 36 milhões (R$ 107 milhões), enquanto o Catar se lança na aventura de desafiar as gigantes Nike e Adidas com sua própria marca de produtos esportivos, a Burrda. Hoje, ela já veste a seleção da Bélgica e pelo menos três clubes europeus.

Se não bastasse, a rede de televisão do Catar, a Al Jazeera, comprou os direitos de transmissão de diversos campeonatos europeus e de cem jogos da Copa dos Campeões da Europa.

Para quem convenceu o Barcelona a retirar do lugar nobre da camisa o nome da Unicef e se transformou no primeiro patrocinador da história do clube, que se orgulhava de não "sujar" sua camisa com publicidade, seduzir as ávidas agremiações brasileiras não deverá ser muito difícil.

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