Fadi Al-Assaad/Reuters
Fadi Al-Assaad/Reuters

Catar comprou voto para receber a Copa, afirma jornal norte-americano

De acordo com The Wall Street Journal, país-sede de 2022 pagou US$ 78 milhões a Julio Grondona

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

Em troca de votos para receber a Copa de 2022, o governo do Catar teria dado US$ 78 milhões (R$ 131 milhões) à Associação Argentina de Futebol (AFA) e oferecido abrir academias de treinamento nos países dos membros do Comitê Executivo da Fifa. Essas são algumas das acusações feitas à entidade um dia depois da escolha de Rússia e Catar para as Copas de 2018 e 2022.

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Segundo o The Wall Street Journal, um ex-cartola da candidatura do Catar revelou que um xeque ligado à família real teria 'salvado' os argentinos da falência. O presidente da AFA, Julio Grondona, também é vice-presidente e diretor financeiro da Fifa. O porta-voz da entidade, Ernesto Bialo, negou o recebimento do dinheiro e disse que não sabia em quem Grondona votou na escolha das sedes das Copas. Outra forma de atuação do Catar, de acordo com o ex-cartola, foi oferecer centros de treinamentos nos países dos membros do Comitê Executivo.

A Fifa refuta as denúncias. "Há resistência sempre que se opta por um caminho novo", alegou um alto funcionário da entidade. Para o governo do Catar, as críticas são "normais". "Sabemos que seremos muito questionados", disse um dos assessores da Federação de Futebol do país.

Mas o caso se soma a uma avalanche de suspeitas de irregularidades no processo de seleção das sedes da Copa. Os árabes já eram suspeitos de terem fechado acordo com a Espanha para a troca de votos. Madri levaria para o Catar os votos de Ricardo Teixeira, Grondona e Nicolás Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol. Um sinal do acordo seria a publicidade nas placas no campo no jogo entre Barcelona e Real Madrid.

Transparência. Reino Unido e EUA prometem não mais se candidatar para receber um Mundial enquanto a Fifa não reformular o sistema de escolha das sedes. Para Andy Anson, presidente da candidatura derrotada da Inglaterra, a Fifa precisa ser mais transparente e não deixar o processo apenas nas mãos de 22 pessoas, em votos secretos.

Americanos e ingleses pedem que a Fifa volte a consultar todos os seus associados - hoje, são 208 federações filiadas -, como ocorria antes da chegada do brasileiro João Havelange ao poder, nos anos 1970.

"Ter apenas 22 pessoas votando dá muito poder e influência a elas. A Austrália tinha uma proposta muito boa e recebeu um voto, nós tínhamos uma proposta muito boa e tivemos dois, os EUA tinham uma proposta tecnicamente forte e receberam três votos. Seis votos na primeira rodada somando os três. Alguma coisa está errada", disse Anson.

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