Dylan Martinez/Reuters
Dylan Martinez/Reuters

Catar culpa horário das provas e boicote por estádio vazio no Mundial de Atletismo

Altas temperaturas e umidade do ar também têm afetado o evento em Doha

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 10h01

O comparecimento constrangedoramente baixo do público no Campeonato Mundial de Atletismo foi atribuído pelos organizadores do evento à hora avançada das provas e a um boicote de outras nações da região ao Catar. Atletas, comentaristas e audiências globais de televisão criticaram o número pequeno de torcedores no Estádio Khalifa durante os primeiros dias de competição.

A arena com capacidade para 48 mil pessoas mal tinha metade do público total na final masculina dos 100 metros rasos no sábado, na prova mais nobre do programa. No domingo, quando os 100 metros femininos foram o destaque da programação, o local estava quase totalmente vazio. A medalhista de bronze de salto com vara, Ekaterini Stefanidi, disse ter sido a menor plateia diante da qual competiu neste ano, incluindo o campeonato nacional grego.

A equipe dos Estados Unidos, que venceu o título da primeira prova de revezamento misto 4x400 metros no domingo, optou por não dar a volta olímpica e desapareceu pelo túnel de saída logo em seguida. O público também se ausentou das provas de rua, realizadas perto da orla marítima, que começam no início da madrugada no horário local.

O Comitê Organizador local disse em um comunicado que na sexta-feira e no sábado o comparecimento foi "robusto, mas abaixo de nossas expectativas" no domingo, quando eles afirmam ter "coincidido com o início da semana de trabalho no Catar".

"O desafio que enfrentamos com um cronograma de competição que é feito para a audiência global de televisão é que algumas provas só estão começando no final da noite", acrescentou. O comitê também mencionou o boicote imposto ao Catar por Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito, que acusam o Estado do Golfo de apoiar o terrorismo, o que o Catar nega.

"Nossa visão era de um primeiro Campeonato Mundial no Oriente Médio. Um Mundial de Atletismo da IAAF que daria as boas-vindas ao mundo e se conectaria a novos fãs. Apesar de enfrentar desafios únicos como anfitriões, em termos políticos (boicote), essa ambição permanece", disse.

As quatro nações que impuseram o boicote, no entanto, enviaram atletas para participar da competição internacional em Doha, e o Bahrein conquistou a medalha de bronze no revezamento 4x400 misto.

O calor tem sido outro problema do Mundial de Atletismo. A maratona feminina, por exemplo, foi marcada pelas altas temperaturas, a elevada umidade e desmaios das atletas. Das 69 competidoras que iniciaram a prova, 40 concluíram o percurso de 42 quilômetros - 29 desistiram. 

A prova será lembrada por suas condições extremas, que renderam imagens de enfermeiros prestando atendimento, cadeiras de rodas e competidoras exaustas. A temperatura no início da maratona era de 32,7 graus centígrados, com uma umidade de 73,3%, informaram os organizadores.

A clínica móvel localizada perto da linha de chegada atendeu várias atletas no limite de suas forças. Enquanto isso, as atletas que resistiam recebiam os aplausos do público ao longo do percurso, em reconhecimento a seu esforço por seguir em frente.

A maratona feminina foi considerada um duro teste para os organizadores do Mundial de Doha, por ser a primeira das cinco jornadas nas quais há uma prova de maratona ou marcha em horário noturno local e fora do estádio refrigerado no qual ocorre a maioria das provas.

Vários veículos da mídia chegaram a especular nos dias anteriores que esta maratona seria suspensa segundo o protocolo de segurança dos atletas, mas a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) anunciou em um comunicado, algumas horas antes do início, que as previsões permitiam a disputa sem modificações. / COM REUTERS E AFP

 

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