Catar: medalha vale U$ 300 mil

O técnico Luiz Alberto de Oliveira, que soma em seu currículo seis medalhas conquistadas em Olimpíadas e Mundiais, com atletas como Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa e Sanderlei Parrela, foi morar no Catar. Morar? "Não tenho parado. Na verdade, não tenho residência fixa", afirma o técnico, que esteve em Belém, no Pará, para o Grande Prêmio Brasil de Atletismo, no fim de semana, mas hoje já está na Itália com o grupo de atletas do Catar. O clima no país não favorece a permanência da equipe o tempo todo em Doha, explica Luiz Alberto, observando que uma poeira suspensa sempre está no ar na capital, o que prejudica os treinamentos. Assim, desde janeiro e até setembro, quando termina a temporada, além de várias fases de treinos em Doha, o time terá treinado no Quênia, Grécia, Itália, St. Moritz, Bélgica, Helsinque, Coréia e Mônaco. Luiz disse que o "príncipe do país gosta muito de esportes e até construiu um prédio de seis andares para ser a sede do Comitê Olímpico nacional." Contou que o país tem um estádio de atletismo, cujo teto fecha, e é climatizado. "Não faltam recursos e estrutura física." Todas as despesas com deslocamentos e hospedagem são pagas, além do salário, é claro. O Catar vai pagar um bônus de US$ 300 mil para o técnico do atleta que obtiver a façanha de conquistar uma medalha de ouro nos Jogos de Pequim, em 2008. E se preparar para o West Asian Games, em dezembro de 2006 (um tipo de pan-americano). "Para eles esse torneio é muito importante." Luiz Alberto chegou ao Catar em janeiro. O País, observa, importa atletas e especialistas em esporte do mundo todo, principalmente africanos. Na equipe de meio-fundo comandada por Luiz Alberto estão três atletas do Sudão, um da Somália e dois quenianos, corredores de 800 m e 1.500 m. Joaquim Cruz tem a medalha de ouro e de prata olímpica nos 800 m, respectivamente em Los Angeles (1984) e Seul (1988). Apesar de tudo, Luiz Alberto não está feliz. Deixa claro as mágoas que acumula com dirigentes e colegas do atletismo brasileiro. Disse que gostaria de ter voltado ao País, mas que não obteve apoio para isso. "Desde que o meu projeto em Manaus acabou (em 2003), meu atletas ficaram jogados. O Sanderlei está sem contrato. Aqui, no Brasil, a única coisa que recebe pelas medalhas que ganha é parabéns." Luiz reclama muito e dispara críticas - afirma, inclusive, que não teve apoio do presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo, para o projeto de criar uma equipe em Fortaleza, no Ceará. Mas seus ex-atletas como Joaquim Cruz e Agberto Guimarães, acham que o técnico, que sempre trabalhou nos Estados Unidos, antes de passar dois anos em Manaus, teria de se adequar à realidade brasileira num processo de transição. "Ele briga muito, tem de ter paciência, conversar...", comenta Joaquim. "Quando eu voltei dos Estados Unidos nada foi fácil, mas eu fui atrás", acrescenta Agberto.

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