Catar prende jornalistas e causa a 1ª polêmica

Equipe de TV da Suíça é detida e fica confinada por 13 dias em hotel por filmar cenas cotidianas nas ruas de Doha

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

A Copa do Mundo no Catar só ocorre daqui a 11 anos. Mas já surge a primeira polêmica. Jornalistas da Radio Television Suisse (RTS) foram detidos por dez horas pelas autoridades locais ao filmar uma reportagem sobre o esporte no país árabe. Ficaram ainda 13 dias sem seus passaportes e impedidos de sair do país, sem qualquer explicação. O sindicato de jornalistas suíços decidiu levar o caso para a Fifa.

O Catar surpreendeu ao ser eleito pela Fifa para sediar a Copa de 2022. Os 12 estádios do Mundial serão construídos em uma área apenas um pouco maior que o Distrito Federal. A escolha passou a ser alvo de debates e de desconfiança.

Agora, a queixa é contra a liberdade de expressão. A equipe de reportagem retornou à Suíça no fim de semana, mas não soube o motivo da detenção e nem do confisco dos passaportes. "Em nenhum momento fomos comunicados da infração que estávamos cometendo"", declarou a tevê pública. Antes da viagem ao Catar, a rede havia obtido visto para realizar a reportagem e garantias de que seus profissionais poderiam filmar "livremente"".

O incidente ocorreu em 1.º de abril, quando cinegrafista e repórter da TV foram detidos. Segundo a RTS, eles estavam na rua para filmar "imagens de passagem"" sobre a cidade. Foram interrogados por horas e levados a uma audiência com um juiz em Doha. A decisão foi multá-los, apreender o equipamento e mantê-los no país por duas semanas, monitorados e sem poder sair do hotel.

O caso surge quando a Fifa se prepara para eleições e Joseph Blatter tem seu cargo ameaçado por um catarí, Mohamed Bin Hammam. Alguns comentaristas da Suíça insinuam que tudo não passaria de jogo de cena de Blatter para mostrar os problemas de ter um presidente da Fifa do Catar. A rede de TV, porém, diz que a detenção foi "muito real"". Para RTS, o ato foi um "atentado contra a liberdade de imprensa"".

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