Alessandro Della Bella/AP
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Catar teria pago US$ 20 mi por Copa

Na véspera da eleição para a presidência, nova denúncia conturba ambiente na Fifa, que descarta investigar se houve venda de votos na escolha do país

JAMIL CHADE - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

ZURIQUE - O Catar teria pago pelo menos US$ 20 milhões para conquistar votos para sediar a Copa de 2022. A denúncia, feita pelo presidente da Concacaf (confederação centro e norte-americana de futebol), Jack Warner, repercutiu nesta segunda-feira na imprensa alemã e provocou uma reação de ex-funcionários da Fifa que se dizem fartos da corrupção e prometem apresentar nesta terça contas bancárias, transações e passaportes das pessoas envolvidas que confirmam o pagamento do suborno.

De acordo com a denúncia, os beneficiados pelo suborno seriam Julio Grondona (presidente da Associação Argentina de Futebol), o paraguaio Nicolas Leoz (mandatário da Conmebol, a confederação sul-americana), o guatemalteco Rafael Salguero (que possui um cargo diretivo na Concacaf) e Issa Hayatou (presidente da Confederação Africana de Futebol). Cada um teria recebido US$ 5 milhões. Todos negam as acusações.

A nova denúncia aprofunda a crise na Fifa que, nesta quarta, tem marcada sua eleição para presidente. O atual mandatário, Joseph Blatter, insiste que "não existe uma crise", não investigará a situação do Catar e que irá adiante com a eleição, apesar de ser o único candidato.

Nos últimos dias, a Fifa vem sendo tomada por uma série de acusações de corrupção, envolvendo mais de um terço dos membros do Comitê Executivo da entidade e, agora, o próprio presidente Blatter.

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E-mail. A denúncia surge um dia depois que um e-mail interno da Fifa foi vazado. Nele, o secretário-geral da entidade, Jérome Valcke, alertava que o Catar tinha "comprado" a Copa. Há poucas semanas, uma CPI no Parlamento Inglês também apontou que cartolas teriam recebido US$ 1,5 milhão do país árabe.

O presidente da Fifa rejeitou, porém, investigar as alegações e garantiu que nada muda para a Copa do Mundo. "Não faremos nada. A Copa de 2022 não será tocada", afirmou Blatter. Segundo ele, nos documentos do Parlamento Inglês, não havia prova de pagamento de propinas. "Estamos felizes porque podemos confirmar que não há elementos suficientes para abrir um processo", disse Blatter, exibindo o código disciplinar da entidade.

Questionado se houve suborno nos votos, Blatter não respondeu. "A decisão que tomamos para a Copa de 2022 foi feita exatamente no mesmo padrão e ambiente que a Copa de 2018 (designada à Rússia)", afirmou.

Fora de contexto. Nesta segunda, Valcke garantiu que se tratava de um "e-mail particular" e que seu conteúdo integral não foi divulgado. Mas confirmou que o e-mail existiu. Mais tarde, em um comunicado, o francês explicou que optou por um termo "mais leve" no e-mail, por ser algo menos formal.

"Quando eu me referi a Copa de 2022, o que eu queria dizer é que a candidatura que venceu usou sua força financeira para fazer lobby por apoio. Eles eram uma candidatura com um orçamento muito importante", disse. O secretário-geral da Fifa garantiu que não queria dizer que votos tinham sido comprados.

Mohammed Bin Hammam, que seria opositor de Blatter na eleição à presidência da entidade e foi um dos expoentes da candidatura catariana, rebateu.

"Eu não sei porque Valcke disse isso. Se eu tivesse dado dinheiro pelo Catar você também teria de perguntar para as 13 pessoas que votaram no Catar", disse Bin Hamman.

Já Blatter, em meio à confusão, se recusou a falar sobre o tema. "Não respondo a essa questão sobre Valcke. Sou eu o presidente", atacou, nervoso.

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