Satiro Sodré / SS Press / CBDA
Atletas do nado sincronizado chegaram a abrir vaquinha para adquirir uniforme, mas COB auxiliou com dinheiro Satiro Sodré / SS Press / CBDA

CBDA corta gastos e adota medidas contra grave crise financeira

Por falta de recursos, Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos promove home office de funcionários e conta com ajuda do COB

Luis Filipe Santos e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 04h33

Passando por uma grande crise financeira, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) instituiu o home office para seus funcionários, a fim de diminuir gastos, e aguarda a renovação de patrocínios dos Correios, já anunciada, porém sem ter sido assinada, para “respirar” um pouco. A situação na quinta confederação brasileira que mais vezes foi ao pódio em Olimpíada preocupa.

Recentemente, atletas da seleção brasileira de nado sincronizado iniciaram uma “vaquinha” para poder comprar os maiôs para o Mundial deste ano, mas o Comitê Olímpico do Brasil (COB) já avisou que bancará os custos. Em conversa com o Estado, Leonardo Castro, diretor executivo da entidade, avisa que a parceria com o COB tem sido muito importante para a CBDA e que no próximo mês o home office acabará.

“A gente tem esse mês inteiro de home office, mas conversei com o presidente e vamos voltar à sede em 3 de junho, pois entendo que é uma atitude extrema para a situação financeira muito ruim que temos hoje e não temos como trabalhar muito tempo desta forma.

Foi válida a decisão, mas a gente precisa voltar para organizar detalhadamente o Mundial e o Pan”, explicou o dirigente.

Os dois torneios são importantes para a entidade nas cinco modalidades que fazem parte da CBDA (natação, maratona aquática, nado sincronizado, polo aquático e saltos ornamentais). O Mundial será disputado em Gwangju, Coreia do Sul, entre 12 e 28 de julho. Já os Jogos Pan-Americanos serão em Lima, de 26 de julho a 11 de agosto.

“Nossa receita hoje é extremamente pequena para o tamanho que a CBDA tem. Como a maioria das confederações, passamos por um período em que havia mais recursos disponíveis, por causa da preparação para a Olimpíada no Rio, e depois dos Jogos, não só as confederações, mas todo o País entrou em crise. Os recursos foram ficando cada vez mais escassos”, explicou Castro.

Uma ajuda importante vem diretamente do COB, que assumiu, por exemplo, os gastos com os maiôs das atletas do nado sincronizado. “Assim que o COB tomou conhecimento da questão, se ofereceu para adquirir os uniformes de competição para os Jogos Pan-Americanos Lima 2019. Se tratam de Jogos Pan-Americanos e o COB tem a intenção de realizar a melhor apresentação possível na competição”, justificou a entidade, em nota enviada ao Estado.

Para a CBDA, a importância do comitê neste momento complicado é enorme. “O COB tem um papel fundamental no desenvolvimento de todas as nossas ações. Eu acho que a parceria que a CBDA tem com o COB é sensacional. Tudo que a gente precisa, tudo que é possível fazer, ele se dispõe a fazer”, lembrou Castro.

Apesar da situação adversa, a CBDA projeta uma boa participação nas competições deste ano. “A gente acredita muito em algumas posições bem significativas dentro do Mundial e do Pan. A natação é importantíssima para as ambições do COB dentro do Pan-Americano, de medalha e de posicionamento. Acreditamos que vamos ter bons resultados”, disse.

CBDA e COB fizeram um grande esforço para viabilizar uma boa preparação, como levar os atletas da natação e da maratona aquática para se aclimatarem em Tóquio, perto de onde será disputado o Mundial. “O COB está em contato permanente com a CBDA para oferecer suporte para a preparação das seleções da modalidade. É importante frisar que as seleções adulta e juvenil utilizam o Centro de Treinamento Time Brasil, gerenciado pelo COB, para a preparação dentro da água”, explicou o comitê.

Apesar dos esforços, é difícil prever quando a CBDA sairá dessa situação financeira difícil. “Eu não tenho como estimar um prazo para a vida da entidade voltar ao normal. Estou no cargo há pouco tempo, seria muito injusto fazer uma previsão agora”, concluiu Castro.

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Confederação ainda aguarda renovação de patrocínio com os Correios

Apesar de anúncio de que a estatal será parceira pelos próximos dois anos, contrato ainda não foi celebrado

Luis Filipe Santos e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 04h33

A CBDA tem uma longa relação de patrocínio com os Correios, desde quando era presidida por Coaracy Nunes, que deixou o comando em março de 2017 e pouco depois foi preso pela investigação na operação Águas Claras, contra esquema de desvios de recursos públicos repassados à entidade - o dirigente responde o processo em liberdade.

A estatal foi uma grande parceira da CBDA nos últimos anos e o contrato anterior, que rendia R$ 5,7 milhões por ano, terminou em fevereiro. Apesar de as partes terem anunciado uma renovação para os próximos dois anos, o acordo ainda não foi efetivado, o que atrapalha o cotidiano da confederação.

"O contrato com a CBDA ainda não foi finalizado, pois ainda está em processo avaliativo. Somente após essa etapa, um novo contrato poderá ser celebrado. Os valores e prazos para o novo contrato ainda não foram definidos e dependerão da finalização do contrato anterior", explicou os Correios, em nota enviada ao Estado.

A CBDA enviou na semana passada a última documentação que faltava e espera um desfecho positivo em breve. "Como todo contrato com empresa pública, há um período de renegociação, de prestação de contas do contrato anterior. Leva-se um tempo. Lógico que gostaríamos que esse tempo fosse menor, mas acreditamos, pelas conversas com os Correios, que esse contrato será renovado, o que dá um respiro, mas não resolve todos os problemas”, explicou Leonardo Castro, diretor executivo da CBDA.

No momento, a CBDA tem poucos recursos disponíveis para tocar o dia a dia. “Temos o valor destinado da Lei Agnelo-Piva, que hoje o COB nos auxilia na execução desse recurso, porque hoje a CBDA está negativada junto ao COB, devido a uma série de questões antigas. Mas isso não inviabiliza receber os recursos dos Correios”, contou.

Os valores que serão pagos pelos próximos dois anos pelos Correios ainda não foram divulgados, mas a tendência é que sejam menores que o contrato anterior. “A gente vive de um contrato com a Globosat, o que nos dá nossa sustentação mensal, mas que não cobre os custos que temos hoje. A quantidade de pessoas vem sendo reduzida gradativamente. Os próprios recursos dentro da entidade, parte de estrutura, internet, telefonia, isso tudo eu estou revendo”, resumiu o diretor.

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