José Luis da Conceição/AE
José Luis da Conceição/AE

CBDA tem licitação fraudada de R$ 1,5 milhão e deu calote em seleção de polo

Operação Águas Claras resultou na detenção do presidente da entidade desde 1988, Coaracy Nunes

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2017 | 13h18

Após confirmar que realizou nesta quinta-feira a prisão preventiva de três pessoas e cumpriu dois mandados de condução coercitiva de outras duas como fruto da investigação de um esquema de desvio de recursos públicos repassados à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), a Polícia Federal confirmou que entre as fraudes descobertas dentro da entidade estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor de R$ 1,5 milhão, pagos com recursos de um convênio com o Ministério do Esporte.

A operação Águas Claras, nome dado pela PF para a mesma, também resultou na detenção do presidente da CBDA, Coaracy Nunes, um dos três presos até agora. Foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva, mas uma destas pessoas, Ricardo de Moura, superintendente da CBDA e braço-direito de Coaracy, está foragido. Ele deverá se apresentar nesta tarde à PF.

Já no que diz respeito à gestão errada do dinheiro administrado pela CBDA estão, por exemplo, o calote à seleção brasileira masculina de polo aquático, que em 2015 não recebeu a premiação de US$ 50 mil pelo terceiro lugar conquistado na Liga Mundial de Belgrano, na Itália.

Entre as acusações contra a CBDA ainda incluiu a responsabilidade da entidade pela ausência da seleção brasileira masculina júnior no Mundial do Casaquistão, no ano passado, sob o argumento de falta de recursos. O convênio com o Ministério do Esporte, no entanto, incluía essa competição.

Todos os detidos nesta quinta-feira integravam a cúpula da CBDA. Além de Coaracy Nunes, foram presos também o diretor financeiro da entidade, Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga, e o coordenador de polo aquático, Ricardo Cabral.

As investigações apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à CBDA pelo Ministério do Esporte. Há indícios de um esquema de desvios de recursos públicos captados por meio de convênios e leis de fomento ao esporte. Segundo o inquérito policial, os recursos eram mal geridos ou desviados para uso pessoal.

Os acusados poderão responder pelos crimes de peculato, associação criminosa e fraude a Lei de Licitações, sendo que a PF também confirmou nesta quinta que foram cumpridos um total de 16 mandados de busca e apreensão no Rio e em São Paulo. Todas as medidas foram expedidas pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

O trabalho é fruto de parceria entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, com a participação da Controladoria-Geral da União, e iniciou-se após denúncias de atletas, ex-atletas e empresários do ramo esportivo brasileiro.

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