Arquivo/AE
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CBF decide rever contratos assinados na 'era Teixeira'

José Maria Marin diz que vai reexaminar acordos em vigência e aponta que está disposto a acertar com novos parceiros

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h08

ZURIQUE - Seis meses após assumir a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o presidente da entidade, José Maria Marin, anunciou que vai reexaminar os contratos, assumidos pelo ex-mandatário Ricardo Teixeira, com patrocinadores, parceiros comerciais e ainda com detentores de direitos relacionados com a seleção brasileira.

Marin ainda aponta que está disposto a considerar novos parceiros, caso tragam propostas interessantes. O Estado revelou com exclusividade que a empresa que hoje organiza os jogos da seleção brasileira, a britânica Pitch International, jamais planejou um jogo de futebol.

Três meses antes de deixar a CBF, Ricardo Teixeira assinou contrato com uma empresa saudita, ISE, ampliando os direitos sobre a seleção até 2022. A empresa acabaria terceirizando a organização dos amistosas para a Pitch, com sede em Londres.

Mas, além de jamais ter organizado um jogo, a empresa pagará à CBF 15% a menos que o contrato anterior, de 2006. Para completar, a ISE passou a ser investigada por subornos a um cartola próximo a Teixeira, o árabe Mohamed Bin Hammam.

Marin foi colocado no cargo por Teixeira e dá a entender que está de mãos atadas em alguns casos. "Temos de cumprir um contrato", declarou o presidente da CBF. Segundo ele, o problema é que não há apenas uma multa a ser paga, mas indicou que haveria uma cláusula de perdas e danos em uma eventual quebra do acordo.

Mas o cartola que herdou a CBF se diz "pronto" para receber "qualquer empresa que quiser fazer novas propostas". "A CBF está de portas abertas", complementou.

Ele emendou que a empresa terá de aceitar trabalhar com a ISE e a Pitch. "Se aparecer alguém para negociar com isso, e oferecer valores melhores, maiores receitas, estamos abertos a negociar desde que haja concordância entre as partes", disse.

Phillip Huber, dono da Kentaro, é um dos que estão dispostos a fazer uma nova oferta. "Eu ofereço US$ 2 milhões hoje por jogos do Brasil", disse ao Estado o responsável pelos amistosos desde 2006 e que teve seu contrato encerrado neste ano. Hoje, a CBF ganha US$ 1,05 milhão.

Outros contratos da era Teixeira também serão revistos. "Pode-se dizer que vamos examinar todos para ver onde há possibilidade de aumentar a receita", disse o presidente.

Um exemplo seria o contrato da Copa do Brasil. A Rede Globo foi obrigada a pagar o dobro para transmitir os jogos, depois de uma renegociação. Marco Polo Del Nero, vice-presidente da CBF, evitou falar em valores.

Prejuízo. Del Nero ainda contestou a informação de que a seleção teria congelado sua receita com amistosos até 2022. Segundo ele, os jogos recentes no Recife, contra a China, e em São Paulo, contra a África do Sul, deixaram um rombo nas contas da ISE. Um dos fatores é o preço baixo das entradas. A CBF ainda assim ganhou o que, segundo Del Nero, seria uma prova de que os acordos podem ser favoráveis.

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