CBF já tem 13 patrocinadores. E quer mais

Nos últimos cinco anos, o faturamento da entidade com os contratos de publicidade aumentou mais de 100%. A Nike pagou R$ 61 mi em 2012

ALMIR LEITE / BRASÍLIA , ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h05

A CBF iniciou a semana apresentando o 13º patrocinador para as seleções brasileiras de todas as categorias, a Samsung. Mas não vai parar por aí, e novos contratos serão fechados.

Os planos da entidade são de aproveitar todas as oportunidades que aparecerem no mercado, pegando carona não só no sucesso atual da equipe - a seleção resgatou a credibilidade dentro e fora do País com a conquista da Copa das Confederações - mas também no fato de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014. E não há limites. O lema é o seguinte: se for um bom negócio e não houver conflitos com os parceiros já existentes, fecha-se o patrocínio.

Essa política já era adotada quando Ricardo Teixeira estava no comando da entidade, e foi mantida na administração de José Maria Marin - que não nega ser ávido por acordos que coloquem bom dinheiro nos cofres. "Existem outros estudos (de propostas de patrocínio), que estamos vendo com muito carinho e muito cuidado", admitiu Marin. "A CBF já era bastante procurada e isso aumentou, mas não pode haver conflito com aqueles que já são nossos patrocinadores.'"

A CBF não pode reclamar. As receitas com patrocínio cresceram significativamente nos últimos anos, embora estejam ainda longe do que a entidade pode pôr no caixa em cada amistoso da seleção. Em 2008, por exemplo, a arrecadação com patrocinadores foi de R$ 107,4milhões; em 2013, alcançou R$ 235,5 milhões, de acordo com o balanço da entidade (veja arte abaixo). Só o contrato com a Nike, o maior de todos, rendeu no ano passado R$ 61,7 milhões.

E as receitas com essa origem vão continuar crescendo. O acordo com a Samsung, por exemplo, vai garantir US$ 6 milhões (R$ 13,7 milhões) por ano. O compromisso vai até 2018. No primeiro semestre, foi fechado contrato de seis anos com a Unimed Seguros, de valor não revelado.

Mas também há tropeços. A CBF tinha até recentemente um contrato de R$ 40 milhões/ano que iria até 2026 com a Marfrig, que explorava a marca Seara em banners, placas e uniforme de treinos da seleção. Como a empresa ficou inadimplente, o acordo foi rompido no início de junho e um concorrente dela, procurado. Pouco tempo depois era fechado compromisso com a BRF (marca Sadia), mas por um valor bem menor: "apenas'" R$ 20 milhões/ano, segundo fontes do mercado.

A entidade é implacável com patrocinadores que atrasam pagamentos ou não honram termos do contrato. E substituir um parceiro por outro do mesmo ramo de atividade não é novidade. Nos últimos anos, a Vivo substituiu a TIM e mais recentemente a Gol tomou o lugar da TAM.

Com Marin à frente da CBF, além dos contratos com Samsung, Sadia e Gol foram assinados os acordos com a Mastercard, no ano passado, e com a Unimed Seguros, nas vésperas do início da Copa das Confederações. E o presidente, ao contrário do antecessor, já avisou que fará qualquer mimo para agradá-los, participando até de atividades promocionais se necessário for. "Nós ficamos inteiramente à disposição do patrocinador. Quando eles nos chamam para um anúncio, por exemplo, vamos atender."

A CBF considera que são 13 os seus patrocinadores. Mas ainda recebe por ações acordadas com a Parmigiani (marca italiana de relógios) e Tenys Pé (marca Baruel). Além disso, a Ambev expõe três marcas (Guaraná Antarctica, Cerveja Brahma e Gatorade) e a Nestlé trabalha com Nescau e Garoto. Assim, 20 marcas são expostas em atividades da seleção.

Número razoável se comparado, por exemplo, com os da seleção italiana na Copa de 2010. Três anos atrás, na África do Sul, o hall do colégio escolhido pelos dirigentes da Azzurra para local das entrevistas exibia 32 marcas.

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